sábado, 10 de julho de 2010

USP muda curso de Obstetrícia e formados terão de voltar à universidade

Fonte: O Estado de São Paulo, 10 de julho de 2010, pág. A16 - Vida.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100710/not_imp579202,0.php


Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo

Alunos formados e já diplomados pela Universidade de São Paulo (USP) no curso de Obstetrícia terão de voltar aos bancos universitários por até mais um ano para complementar a formação necessária para o exercício da profissão.

A USP decidiu rever a graduação oferecida no câmpus da zona leste, chamado de Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), depois de identificar que os formados não conseguiam registro profissional nem aceitação no mercado.

Os cerca de 80 alunos que já concluíram o curso de Obstetrícia não têm encontrado emprego sequer nas redes públicas de saúde estadual e municipal. Por isso, toda a grade do curso foi alterada. Entre as principais mudanças, o curso terá aulas práticas e ampliação do número de disciplinas de enfermagem. Será, agora, de nove semestres, e terá uma carga horária maior (mais informações no quadro).

As alterações foram aprovadas pelo Conselho Universitário - instância máxima da instituição - no mês passado e já valem para o vestibular de 2011. Os atuais alunos, que se formariam neste ano, terão de cursar mais disciplinas e só completarão a graduação no ano que vem.

As mudanças ocorrem cinco anos após o surgimento dos cursos da USP Leste - e dois anos depois da formação da primeira turma, em 2008. Como não há entidade própria de classe, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) não aceitou registrar o profissional formado no curso. Por decisão judicial, o Coren foi obrigado a emitir certidão provisória, mas manteve ressalva de que ele só poderia trabalhar na área de obstetrícia. A medida não foi suficiente para que os profissionais fossem aceitos.

Tanto a direção da EACH como a pró-reitoria de graduação da universidade já haviam identificado as falhas na graduação que refletiam em dificuldades para seus ex-alunos. Para definir as mudanças, professores da EACH, da Escola de Enfermagem e do Instituto de Ciências Biomédica (ICB) formaram uma comissão encabeçada pela pró-reitora de graduação da USP, Telma Maria Tenório Zorn.

"A gente reconheceu que havia falhas", diz Telma. "Aproveitamos para reavaliar a grade e o problema de credenciamento junto ao Coren." Em menos de um mês, a comissão definiu a nova grade. "Fizemos seminários para discutir a reestruturação, com a participação de professores", afirma a coordenadora do curso, Nádia Zanon Narchi.

Mesmo com o aumento da carga-horária e do numero de disciplinas, ainda não há previsão de contratação de professores. Segundo Nádia, ainda não há necessidade de contratações. "Teremos de fazer, sim, um esforço concentrado, mas todo o corpo docente está disposto", diz. Professores do ICB também estarão envolvidos na graduação.

Credenciamento. O argumento que a USP sempre manteve sobre as graduações da USP Leste é de que a universidade tem de criar novos cursos e fazer suas próprias reflexões - prevalecendo a decisão dos conselhos estadual e nacional de educação, e não de conselhos profissionais. "O curso já atendia à demanda acadêmica e continua com o mesmo espírito", afirma o vice-diretor da USP Leste, Edson Leite.

A pró-reitora entende o mesmo, mas ressalta que as mudanças vieram para melhorar. "Com essas mudanças ganham todos, os alunos e a USP", diz Telma.

A USP já levou a nova grade do curso ao conselho de classe, que se comprometeu a registrar os profissionais. "Depois de todo um processo de desgaste, a universidade entendeu que tinha de fazer a revisão. A história da USP é muito rica para se permitir a isso", afirmou o presidente do Coren, Claudio Alves Porto. Segundo ele, os profissionais terão de terminar o curso dentro do novo modelo para ter o registro profissional.

Volta às aulas. Os ex-alunos poderão fazer a complementação a partir do ano que vem. A carga horário poderá ser feita em seis meses (se o aluno fizer aulas pela manhã e à tarde), ou em um ano. Os formados deverão fazer a complementação do curso nos próximos dois anos.

O curso foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação. O presidente da Câmara de Educação Superior do CEE, João Cardoso Palma Filho, defende que a aprovação foi correta. "O conselho faz a análise em função das diretrizes curriculares nacionais. Estabelece carga horária, competências e habilidades."

Os ex-alunos da USP serão contatados por e-mail ou por telefone. Eles deverão cursar as disciplinas nas mesmas turmas que os atuais alunos.






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domingo, 4 de julho de 2010

Cursos da USP Leste em áreas conhecidas empregam mais, dizem alunos.

04.07: Novas graduações vingam

Cursos da USP Leste em áreas conhecidas empregam mais, dizem alunos

BRUNA BORGES
DE SÃO PAULO

Os cursos universitários multidisciplinares que surgiram nos últimos anos podem ser divididos em dois, quando analisados do ponto de vista da empregabilidade: os que focam áreas tradicionais e os essencialmente novos.
No mercado de trabalho, os primeiros são de longe os que apresentam maior absorção de recém-formados.
É o que indicam alunos e professores da USP Leste, campus da Universidade de São Paulo que observa atentamente sua segunda turma de graduados dar início à vida profissional neste ano.
Marketing, gestão ambiental, lazer e turismo, sistemas da informação, têxtil e moda e ciências da atividade física saem na frente na EACH-USP Leste (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) em termos de empregabilidade.
Os recém-formados dos cursos restantes, como gerontologia e obstetrícia, do outro lado, ainda encontram dificuldades para entrar no mercado profissional por falta de reconhecimento.
"Atuar em uma profissão que já é conhecida ajuda bastante meus alunos na entrada no mercado de trabalho", aponta Paulo Santos Almeida, coordenador do curso de gestão ambiental.
O índice de alunos estagiando é alto, cerca de 90%, afirma Ricardo Uvinha, coordenador de lazer e turismo.
Antes mesmo de se formar, o estudante de gestão ambiental Alexis Lopes, 22, foi contratado pela Saint-Gobain Abrasivos como analista de sistema de qualidade.
"O profissional dessa área pode atuar em consultorias ambientais, em empresas e no setor público. São muitas oportunidades", destaca.

Desconhecimento atinge recrutador

Selecionadores ainda não identificam as competências de recém-formados nas graduações multidisciplinares

DE SÃO PAULO

Responsáveis por selecionar os jovens que trocam a carteira da sala de aula pela cadeira do trabalho, muitos selecionadores ainda desconhecem o que graduandos de cursos multidisciplinares como os da USP Leste podem oferecer como profissionais.
Para saber como está a empregabilidade desses recém-formados, a Folha procurou dez recrutadores e consultores de carreira. A maioria diz não saber argumentar sobre as chances desses jovens.
"Não tenho como comentar sobre os cursos, pois são muito específicos e não são solicitados em nossas vagas para o mercado corporativo", indica Renata Schmidt, gerente da Foco Talentos.
Paradoxalmente, "cursos como lazer e turismo, gerontologia e gestão ambiental atendem a uma demanda crescente do país", opina Neli Barboza, da Ricardo Xavier Recursos Humanos.
São reflexo do momento que o Brasil vive, à espera de uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, com a população cada vez mais idosa e de olho na exigência mundial de sustentabilidade nos negócios.
Como são cursos novos, dizem os consultores, não houve contato com os graduados. Em alguns casos, como nos de gerontologia e ciências da natureza, até a atuação é desconhecida.
"O mercado de trabalho está sempre em mudança, e os profissionais contratantes podem não acompanhar as novidades em relação aos cursos", assinala a consultora da Career Center Marisa da Silva.
A falta de conhecimento, porém, não significa exclusão na hora de preencher as vagas. Nessa fase da carreira, salientam recrutadores, mais vale o desempenho comportamental nas seleções.
"Nos destacamos na entrevista porque outras escolas são voltadas para comunicação, enquanto a nossa enfoca negócios", compara Bruno Monteiro, 22, que se forma em marketing em dezembro.

Carreiras fogem à lógica comum de contratações

DE SÃO PAULO

Apesar de também formar pessoas aptas a trabalhar em empresas ávidas por profissionais qualificados pela USP, a EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) apresenta cursos que não seguem a lógica tradicional de contratação do mercado.
O curso de licenciatura de ciências da natureza é exemplo disso. A intenção é formar professores para dar aulas de ciências para o ensino fundamental.
Os graduados também trabalham em museus e institutos educacionais voltados para a área científica. Há uma parcela significativa que prefere seguir carreira acadêmica ou que pretende atuar na rede pública e depende de aprovação em concurso.
O mesmo ocorre com os formados em gestão de políticas públicas, que, além de planejar a entrada no funcionalismo, podem atuar no terceiro setor. A iniciativa privada é uma opção, no caso em que a instituição negocia diretamente com o setor público, como bancos.
Por meio de parcerias entre a universidade e órgãos públicos, Gregori Pizzanelli, 23, que se forma no curso em dezembro, já estreou na área. "A meta é me especializar em economia ou administração."

ESPECIALISTAS RESPONDEM ÀS DÚVIDAS DOS ESTUDANTES

CIÊNCIAS DA ATIVIDADE FÍSICA
Frequentemente os graduados atuam em academias. Qual o local de atuação mais promissor?
Empresas estão investindo na prevenção de doenças por meio da atividade física. Um caminho é atuar como professor de ginástica laboral.

GESTÃO AMBIENTAL
Em relação ao perfil misto de gestor e técnico, o que o mercado espera?
Há espaço tanto para o técnico quanto para o planejador. O profissional mais gestor provavelmente terá mais oportunidade de planejar em grandes empresas a partir de uma estrutura já consolidada. Já o técnico é necessário em organizações que ainda não aplicam ações de gestão ambiental.

LAZER E TURISMO
Com a realização de grandes eventos no país, como a Copa, quais são as perspectivas para esses profissionais?
O Brasil tem grande potencial por seus recursos naturais, mas ainda não decolou como deveria por falta de infraestrutura. Há mais espaço aos gestores que pensam o setor nessa etapa de implementação.

GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Quais são seus principais campos de atuação?
A universidade dá suporte para estágios. Os formados podem prestar concursos ou são indicados a cargos. Também atuam em instituições da iniciativa privada que dialogam com a administração pública, em consultorias de políticas públicas e no terceiro setor.

OBSTETRÍCIA
Com os problemas com o Conselho de Enfermagem, alguns profissionais perderam o emprego.
A coordenação do curso afirma que espera aprovação da universidade para reformular a grade curricular, que será compatível com as exigências do órgão regulador.

MARKETING
O curso é focado em gestão de negócios. Em quais nichos há mais chances?
O profissional pode assumir muitas funções e ser mais valorizado em pequenas empresas. Organizações do varejo também têm esse foco.

GERONTOLOGIA
A profissão ainda é pouco conhecida. Onde pode atuar o profissional?
O gerontólogo gerencia serviços, programas e atividades direcionados ao envelhecimento. É um profissional capacitado a criar, desenvolver e avaliar formas de apoio ao idoso, considerando questões biológicas, psicológicas e sociais. Atua em consultorias e instituições especializadas.

SISTEMAS DA INFORMAÇÃO
Ainda são bastante visados esses profissionais?
O mercado de trabalho nessa área é amplo. Há valorização dos profissionais que atuam em consultorias de informática e que gerenciam bem projetos que envolvem recursos técnicos e humanos. Apresentam boas oportunidades as áreas de suporte, programas de segurança da informação e gerenciamento de banco de dados.

CIÊNCIAS DA NATUREZA
Onde estão trabalhando os formados na área?
Em escolas, museus e instituições. Muitos profissionais preferem seguir estudando e investem em um mestrado.

TÊXTIL E MODA
Alunos afirmam que há poucos cursos de especialização. É um complicador para o mercado de trabalho?
Isso se dá por ser um curso novo. Há opções de especialização para mercado de moda nas áreas de produção, compras, marketing, venda e pesquisa. Outras áreas podem surgir com o tempo e a consolidação da carreira.


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Obrigado,

Beth Seno.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Índices revelam melhora da qualidade em todas as etapas do ensino em 2009

A qualidade da educação no Brasil avançou mais. O índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) do país cresceu em todas as etapas de ensino entre 2007 e 2009. No ensino fundamental, o indicador superou as metas propostas para o período e alcançou as de 2011. “O fantasma da queda de qualidade está ficando para trás”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad, durante a divulgação dos dados, nesta quinta-feira, 1º.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb subiu para 4,6 em 2009. A nota proposta para o período era 4,2 – índice já registrado na aferição de 2007. Nos anos finais, o indicador foi para 4,0 pontos, superando a meta de 3,7 para o ano. O mesmo ocorreu no ensino médio, que obteve índice de 3,6. O objetivo era registrar pelo menos 3,5 nessa etapa de ensino no período.

Haddad considera normal que a melhora no índice seja proporcionalmente maior nos anos iniciais do ensino fundamental. “Vínhamos de um período de recessão educacional, de queda de proficiência. Quando a educação começa a melhorar, é como uma onda; a arrancada mais forte se dá nos anos iniciais e se propaga, ao longo do tempo, nos finais e no ensino médio.”

O Ideb foi criado em 2005, como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O índice utiliza escala de zero a dez pontos e é medido a cada dois anos. O objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, chegue à nota seis em 2021 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

“O Brasil está numa trajetória ascendente e consistente pelo quarto ano consecutivo. Ainda estamos distantes da meta de 2021, mas com a esperança renovada de que será alcançada”, afirmou Haddad. Entre os fatores que influenciam na melhoria da qualidade da educação, segundo o ministro, estão as ações que compõem o PDE – da creche à pós-graduação – e a mobilização natural das redes e escolas a favor do cumprimento das metas do Ideb estabelecidas para cada uma.

No indicador estão reunidos dois conceitos fundamentais para a qualidade da educação: o fluxo escolar (taxas de aprovação, reprovação e evasão obtidas no censo da educação básica) e as médias de desempenho nas avaliações Prova Brasil e Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

A Prova Brasil é um teste de leitura e matemática para turmas de quarta e oitava séries (ou quinto e nono anos) do ensino fundamental. Os alunos do ensino médio fazem o Saeb, avaliação por amostra, que também avalia habilidades em língua portuguesa e matemática. No ano passado, as avaliações foram aplicadas a 2,5 milhões de alunos da quarta série (quinto ano), 2 milhões da oitava série (nono ano) e 56 mil do ensino médio.

Os dados divulgados nesta quarta-feira mostram que o desempenho dos estudantes nas avaliações foi o que mais pesou na composição do Ideb de 2009. Nos anos iniciais, por exemplo, foi responsável por 71% da composição da nota. Já no ensino médio, embora o desempenho tenha sido responsável pela maior parte da nota, a taxa de rendimento subiu em relação a 2007; teve 42% de importância no índice, comparado aos 29% da medição anterior.

Assessoria de Comunicação Social

Confira os resultados do Ideb nacional de 2009

Ainda há esperança. Que venham os futuros líderes deste país...

Jovens querem ser políticos

USP LESTE - EACH

Vídeo institucional da EACH parte 1.

Vídeo institucional da EACH parte 2.

Opiniões sobre o ciclo básico da EACH. 1

Opiniões sobre o ciclo básico da EACH. 2