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domingo, 5 de julho de 2009

IEPP I - TRABALHO DE FINALIZAÇÃO DO CURSO - primeiro semestre curso GPP

Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Universidade de São Paulo

BRUNO MARTINELLI – Número USP: 0000000
Professora Marta Maria Assumpção Rodrigues
Introdução ao Estudo de Políticas Públicas I


TRABALHO DE FINALIZAÇÃO DO CURSO


São Paulo / Junho de 2009




O curso de Introdução ao Estudo de Políticas I discute o que são políticas públicas, o como e o porquê surgiram, à partir de diversos enfoques, vertentes e autores de diversas épocas. Neste trabalho serão abordados o marxismo, pluralismo, arenas de poder, etapas do processo das políticas públicas, corporativismo, incrementalismo, estabelecimento da agenda, redes, neo-institucionalismo e relações internacionais. Quando possível será feito uma breve comparação com acontecimentos atuais. A visão Elitista sobre políticas públicas será deixada de lado, poisjá foi apresentada em seminário.


RESENHA: SARAVIA, Enrique; “Introdução à Teoria Política Pública” In:

Introdução ao Estudo de Políticas Públicas I - Profª. Drª. Marta Maria Assumpção Rodrigues

Nome: Bruno Martinelli – (Matutino) – 14/04/2009

Resenha do livro: SARAVIA, Enrique; "Introdução à Teoria Política Pública" In: Enrique Saraiva e Elisabete Fernandes, orgs. Políticas Públicas, vol. I (Brasília: ENAP, 2006) pg. 21-42.

O autor mostra como a administração surgiu, enquanto ciência, por volta do século XX, e a necessidade de dividi-la em pública e privada. Em seu texto é definido um conceito importante, o de política pública, além de apresentar suas características, seu processo, sua interação e, por último, a importância das instituições.

Existem várias visões que analisam a atividade estatal. O autor foca na jurídica e na administrativa, coexistentes, mesmo não sendo sempre compatíveis. Conforme a história dos países prevaleceu uma ou outra visão, no caso ibérico prevaleceu a jurídica, favorecendo a burocracia estatal. Já nos países anglo-saxãos, "no sistema do common law o mundo jurídico está integrado por outras normas a princípios, entre os quais prevalece o princípio dos precedentes jurisprudenciais".
A necessidade no século XIX de se acabar com o nepotismo e o favoritismo, que ainda são presentes em nossa sociedade atual, fez com que o professor e, posteriormente, presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, se preocupasse na criação de uma classe administrativa apartidária, selecionada pelo mérito.

Importante mostrar a diferença da visão sobre administrador público até 1930, como Tânia Fischer lembra, ele era visto como "mero executor de tarefas", à partir da ampliação do aparato estatal ele passou a ser "percebido como formulador de políticas públicas". Também é importante ressaltar que "a decisão política leva em conta variáveis que a decisão empresarial
não considera, a dependência em relação aos recursos do mercado é quase total na administração privada e os objetivos organizacionais são diferentes e muitas vezes opostos".
Somente depois da Crise de 1929 a Administração Pública foi assim denominada.

Com a complexidade do mundo pós Segunda Guerra foi necessário que os Estados começassem a rever seu papel para acompanhar as mudanças da globalização. "No âmbito estatal foi a época dos grandes sistemas de planejamento governamental. Os países institucionalizaram órgãos – comissões, ministérios, corporações – destinados a
elaborar planos ambiciosos de desenvolvimento e, em geral, foram bem-sucedidos. Na América Latina, foi uma época de grande crescimento econômico, orientado e financiado pelo Estado".
Peguemos o exemplo do governo JuscelinoKubitschek no Brasil, mesmo às custas do aumento da dívida externa, o país teve grande aumento em sua produção industrial.

Entretanto, na década de 70, guerras e crises surgiram e o planejamento foi trocado pela estratégia, assim ficava viável lidar com as constantes mudanças de cenário mundial.

Um problema apontado foi a tardia ração ou modificação estatal perante os novos cenários. "O resultado foi uma deterioração de sua capacidade de resposta às necessidades e aos anseios da população e um correlato declínio de sua credibilidade".

Nos anos 80 veio a resposta. "A ação baseada no planejamento deslocou-se para a idéia de política pública". A tecnologia, a economia e a administração empresarial facilitaram muito as coisas e, junto a pressão popular, democratizaram mais o sistema político. "A análise estrutural, anatômica, do Estado e da participação continua válida, mas, aos poucos, vai-se incorporando uma visão da dinâmica, da fisiologia, do funcionamento estatal".

A política pública "trata-se de um fluxo de decisões públicas, orientado a manter o equilíbrio social ou a introduzir desequilíbrios destinados a modificar essa realidade". De um ponto de vista operacional, podemos dizer que ela é um conjunto de decisões públicas que vida atingir objetivos através de estratégias definidas, afim de "manter ou modificar a realidade de um ou vários setores da vida social". Ela existe para manter a democracia e tornar mais justa a vida das pessoas. Existem sete perspectivas, segundo Hogwood e Gunn, para se analisar uma política pública, mas todas dependem do contexto de cada sociedade em que ela está sendo aplicada.

Existem processos que devem ser utilizados para uma política pública, o primeiro é a agenda, ou seja, um problema a ser discutido. Depois vêm a elaboração, a formulação, a implementação (preparação para se por em prática a política pública), a execução, o acompanhamento e a avaliação (análise posterior do resultado dessa política).

Este é um esquema teórico que se difere da complexidade dos problemas e urgências com que ocorre na prática. Além disso, "existe uma crítica dura e permanente sobre a falta de coordenação entre as políticas econômicas e sociais. Os programas de ajuste estrutural implementados na América Latina não consideraram, nas etapas iniciais da sua elaboração, os resultados sociais possíveis." Por isso indicadores sociais tão ruins são observados na maioria dos países latinos.

As instituições desempenham papel decisivo para as políticas públicas, são nelas que a maioria das políticas públicas são executadas, por isso é tão importante entender sua estrutura e comportamento, embora sejam muitas vezes conflitantes. É necessário que se vinculem diferentes níveis de organização, segundo Benson. Para ele a estrutura
administrativa e a estrutura de interesses são complementares. Então entram as normas da
formação de estruturas, como o autor lembra nas sociedades capitalistas, elas estão relacionadas à acumulação de capital.

A importância de se estudar este texto está em, além de ser definido teoricamente o conceito de política pública, o autor faz um diagnóstico da evolução desta área do conhecimento, ampliando a visão sobre o aparelho estatal e mostrando situações mais concretas que facilitam sua compreensão.

RESENHA: “Distribuição, Regulação e Redistribuição: As Funções do Governo”, de Theodore J. Lowi

Introdução ao Estudo de Políticas Públicas I - Profª. Drª. Marta Maria Assumpção Rodrigues

Nome: Bruno Martinelli – (Matutino) – 30/03/2009

RESENHA da resenha: "Distribuição, Regulação e Redistribuição: As Funções do Governo", de Theodore J. Lowi


O autor, num primeiro momento, distingue os três tipos de estruturas políticas em questão: a distributiva, a regulatória e a redistributiva. Posteriormente, aborda cada uma delas mais à fundo, nas chamadas "Arenas de Poder", contrapondo as conclusões de E. E.
Schattschneider, da escola pluralista e da visão elitista, utilizando-se de exemplos da história estadunidense.

"As políticas distributivas caracterizam-se pela facilidade com que podem ser desagregadas e seus recursos, dispensados de forma atomizada a unidades isoladas, sem obediência a qualquer critério mais geral e universalista". Esta política, segundo o autor, pode
ter como sinônimo o "clientelismo" e a "patronagem", ou seja, existe sempre uma troca de interesses individualizada e os não favorecidos deste "esquema" perdem sua força porque "os mais influentes entre eles podem sempre ter seus interesses acomodados". A crítica à escola
pluralista e E. E. Schattschneider reside no fato de que, embora essa política tenha inúmeros pequenos grupos, ela tem como participantes "pessoas ou firmas individualmente consideradas". Para tal comprovação, Lowi se baseia, por exemplo, na política feita pelo Congresso para obter apoio político. Importante ressaltar o conceito de "não-interferência mútua", "segundo a qual é adequado que cada um procure benefícios ou favorecimentos para si próprio, mas é inadequado e injusto opôr-se aos favorecimentos ou benefícios buscados por outros".

"As políticas regulatórias distinguem-se das distributivas pelo fato de, a curto prazo, envolverem uma escolha direta entre quem será favorecido e quem será desfavorecido". Estas decisões não tem como objetivo atender à demandas individuais, porque "as decisões para
cada caso devem ser tomadas com base em regras gerais", e permanecem no nível setorial.

Para a elaboração destas políticas, existe uma forte instabilidade entre os grupos de poder, impedindo a criação de uma elite organizadora no Congresso, "[parecendo] desempenhar o papel clássico a eles atribuídos pelos pluralistas". O principal exemplo dado pelo autor para
confirmar sua tese é o da política tarifária americana.

As redistributivas, segundo o autor, assemelham-se às políticas regulatórias no aspecto de envolverem "relações entre amplas categorias de indivíduos e de que as decisões individuais precisam ser inter-relacionadas" (já na arena distributiva, deve ser atomizada e
casual), diferindo-se pela "natureza do impacto". Estes impactos envolvem as classes sociais, levando em conta a teoria marxista. "Não está em questão a igualdade de tratamento, mas a igualdade ou desigualdade em relação à posse; não se questiona o comportamento, mas a
existência". Para Lowi, esta questão redistributiva está mais ligada às expectativas de, por exemplo, redistribuição de rende em programas sociais, ou do que ela possa ameaçar, do que pelos resultados efetivos que serão obtidos. Os recursos são sempre destinados aos maiores setores da sociedade, o que dialoga, de certa maneira, com Mills, não existindo vários setores fragmentados como o pluralismo sugere, e sim uma elite conflitante.

Este texto leva a concluir que nem a visão elitista, nem a pluralista, nem a marxista está totalmente certa ou errada, mostrando que cada uma tem maior ou menor aplicação conforme o fato que estamos analisando. A importância de se estudar estas três visões está em que assim podemos abrimos nosso horizonte para melhor diferenciar e interpretar as situações que os futures gestores público estarão lidando.

RESENHA “Who governs? Democracy and power in an american city – New Heaven: Yale University Press”

Introdução ao Estudo de Políticas Públicas I - Profª. Drª. Marta Maria Assumpção Rodrigues

Nome: Bruno Martinelli – (Matutino) – 23/03/2009
Resenha do "Who governs? Democracy and power in an american city – New Heaven: Yale University Press"
Capítulo 19 – Sobre a espécie Homo Politicus


O texto analisa as mudanças políticas de longo prazo obtidas em New Heaven à partir das definições de Homo Civicus, Homo Politicus, recursos e da colocação de hipóteses.
A teoria pluralista se opõe à elistista, pois considera que não existe uma elite no poder da "América", e sim, várias elites em concorrência entre sí, segundo o Dicionário de política, Bobbio, Brasília : Ed. UnB ; Sao Paulo : Imprensa Oficial SP, 2002.
Para Dahl, existem os homens cívico (homo civicus) e político (homo politicus). O primeiro é considerado um "animal não político", embora utilize recursos, ou seja, "qualquer coisa que possa ser usada para alterar as escolhas específicas ou as estratégias de um outro indivíduo", no caso, o voto para influenciar o poder público e os políticos. O autor ainda acredita que "muito dificilmente a atividade política será o principal objetivo da sua vida", mas, numa situação de perigo, o homo civicus utiliza os recursos para influenciar as ações do governo e depois retoma sua objetivos primários, como a busca pelo dinheiro.

Sobre o homo politicus, "presume-se que no decorrer do desenvolvimento, alguns indivíduos descobriram que a ação política é uma fonte poderosa de gratificações, tanto diretas, quanto indiretas. Se e quando os objetivos primários que movem o homo civicus tornam-se permanentemente ligados à ação política, nasce um novo membro do gênero homo politicus ", ou seja, o homem cívico pode tornar-se político. Este dispõe de muitos recursos para influenciar o homem cívico e manter-se no poder e, apenas ocasionalmente, o homo
civicus influencia o homo politicus. Os homens que se desviam das normas prescritas, nos sistemas pluralistas e democráticos, correm grandes riscos de derrota. Isto porque "já que os próprios mecanismos jurídicos e constitucionais podem ser subversivos se alguns cidadãos ou grupos adquirirem parcelas desproporcionais em comparação aos demais, o poder de um grupo há de ser controlado pelo outro", como afirmou o próprio R.A. Dahl em: Pluralist democracy in the U.S. Conflict and consent, Rand McNally, Chicago, 1962 (p. 40).

Em New Heaven, três hipóteses para explicar as mudanças da oligarquia para o pluralismo foram feitas: a primeira diz que algumas idades americanas passaram por uma transformação, "de um sistema em que os recursos de influência eram altamente concentrados, para um sistema em que eles são amplamente dispersos". A segunda, que essa "dispersão é uma conseqüência de certos aspectos fundamentais das estruturas sociais, econômicas e políticas de New Heaven" e, a terceira, que a "dispersão não representa
igualdade de recursos, mas fragmentação de recursos".

O autor considera seis características nesse sistema de desigualdades, uma fundamental que diferencia nitidamente o elitismo do pluralismo é: "3) Os indivíduos em melhor posição no acesso a um tipo de recurso freqüentemente estão em má posição no que tange a muitos outros recursos". O elitismo, diferentemente do pluralismo, afirma que quanto mais um indivíduo tem acesso aos "recursos" de uma organização, mais acesso aos outros recursos ele passa a ter.

O pluralismo assegura que diversos grupos sociais tenham seu espaço na política, para que possam fiscalizar uns aos outros e defender seus interesses, evitando que o poder esteja concentrado em um único grupo que exerça poder sobre o Estado e determine sozinho
os rumos seguidos pela nação.

terça-feira, 30 de junho de 2009

RESENHA DO MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA - Bruno Martinelli

Universidade de São Paulo
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Gestão de Políticas Públicas - Introdução ao Estudo de Políticas Públicas I

Profª. Drª. Marta Maria Assumpção Rodrigues

Nome: Bruno Martinelli – (Matutino) – 10/03/2009

Resenha do Manifesto do Partido Comunista – Aula I

O panfleto comunista de autoria de Karl Marx e Friedrich Engels foi publicado pela primeira vez em 1848, quando a Europa passava por uma grande turbulência social em meio a Revolução Industrial. Sua integridade foi assumida pela Liga dos Comunistas, formada por exilados alemães. Este documento, dada as condições na qual os proletariados viviam, serviu de motivação para muitos movimentos sociais e revolucionários daquele período, embora passado mais de um século ele ainda não perdeu seu valor e permanece atual em alguns aspectos.

O Manifesto é dividido em quatro partes, precedidas pelo "Prefácio", que tem como objetivo, conforme o local de publicação, adaptar o panfleto a realidade de forma crítica ao leitor, e por uma breve introdução. O texto é sempre voltado para a classe operária, tendo em vista servir de propaganda para nova idéia política: o comunismo.

Depois, em "Burgueses e Proletários", os autores analisaram as relações entre essas classes vigentes, ou seja, a classe oprimida e a opressora, respectivamente. Acreditavam que "a história de todas as sociedades que existiram até hoje é a história de luta de classes", sendo que a época em que viviam era a "época da burguesia".

Consideraram a burguesia fundamental para desenvolver a humanidade, revolucionária e destruidora de "todas as relações feudais, patriarcais, idílicas", além de que, para poder existir, também alterou as relações e instrumentos de produção tendo como conseqüência a modificação das relações sociais e a criação da classe proletária, composta de populações do campo que vieram às cidades para vender sua força de trabalho na indústria para suprir a necessidade de produção, consumo e acumulação de riqueza do sistema capitalista. Estas pessoas eram extremamente exploradas em longos turnos de trabalho e viviam em péssimas condições. Segundo os autores, era necessário uma revolução contra a burguesia.

Marx e Engels acreditavam que a força da revolução estava somente nos proletários e que as outras classes intermediárias iam diluindo-se conforme o tempo. A burguesia fazia "armas contra si mesma" quando os membros desta, "rebaixados" a proletários, forneciam para a classe oprimida elementos de sua própria educação. Isso ajudou muito no aumento do nível argumentativo proletário.

Os autores criticaram ferozmente os costumes, valores e instituições burguesas na terceira parte do documento ("Proletários e Comunistas"), além de defenderem-se de críticas. Um bom exemplo disto é a instituição do casamento: "O casamento burguês é, na realidade, a comunidade das mulheres casadas. Portanto, no máximo seria possível acusar os comunistas por desejarem substituir uma comunidade de mulheres hipocritamente dissimulada por outra comunidade franca e oficial". De fato, naquela época, o papel exercido pelas mulheres burguesas casadas era muito inferior ao atual, isso evoluiu muito de lá para cá e talvez este argumento contra o casamento não seja tão válido nos dias atuais. Além disso, são criticados outros valores burgueses, as nações e a propriedade, além de considerarem que "o primeiro passo na revolução operária é a elevação do proletariado à classe dominante, a conquista da democracia".

No final dessa parte são citadas medidas que podem ser aplicadas nos países mais avançados para quando os proletários dominarem a máquina do Estado. Entre elas está a idéia de: "Educação pública e gratuita de todas as crianças. Eliminação do trabalho das crianças nas fábricas em sua forma atual. Combinação da educação com a produção material, etc". Isso mostra que embora a revolução não tenha ocorrido de fato, este manifesto já vinha com idéias na luta pelos direitos conquistados que sobrevivem até hoje.

A penúltima parte, "Literatura socialista e comunista", faz enormes críticas a várias correntes socialistas existentes naquela época. Classificaram o socialismo feudal, o socialismo pequeno-burguês e o socialismo alemão ou "verdadeiro" socialismo como reacionários e não defensores do verdadeiro interesse da classe proletária. O feudal , por exemplo, era fruto da aristocracia feudal e, segundo os autores, não poderia ser legítimo.

Contestaram também o socialismo conservador ou burguês, considerando que ele serve para "fazer a classe operária perder o gosto por todo o movimento revolucionário, demonstrando-lhe que não seria essa ou aquela transformação política que poderia beneficiá-la, mas apenas uma transformação das condições materiais de existência, das relações econômicas.".

Por fim, criticaram o socialismo e o comunismo crítico-utópicos, com o principal argumento de que não é possível fazer uma revolução operária sem a luta armada, além de que a teoria trata da "descrição fantástica da sociedade futura, feita numa época em que o proletariado é ainda muito pouco desenvolvido e tem apenas uma concepção fantástica de sua própria posição (...)".

O Manifesto é finalizado em "Posição dos comunistas diante dos diversos partidos de oposição" , onde os autores incitam uma posição firme do movimento comunista perante a oposição e finaliza pedindo a união de todos os proletários do mundo. Embora princípios contidos neste manifesto não tenham sido aplicados de fato, foram de suma importância para a análise e reflexão daquela sociedade dada pelos autores em relação às sociedades posteriores, servindo muitas vezes não para a tomada de algum poder por parte dos proletários ou sindicatos, mas auxiliando nos diálogos que possibilitaram e possibilitam maiores conquistas de direitos para as classes menos favorecidas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

RESENHA: “O POPULISMO NA POLÍTICA BRASILEIRA.” Francisco Corrêa Weffort.


Nome: Flávia Collaço.

Profa: Marta Assumpção.

Trata-se de 3 capítulos de um livro que descreve as diferentes fases e atuações da massa populacional nos regimes ditatoriais: populismo e nacionalismo.

Para o autor segundo meu entendimento, ambos os regimes não aconteceram em acordo, um seria o oposto ao outro.O populismo seria a falta de uma ideologia, já o nacionalismo seria em si próprio algo ideológico, pois segundo o autor, no populismo “...as massas se orientam por pessoas e não por idéias.”

Foi de difícil compreensão boa parte do texto, pois parece que o autor entra em contradição com suas idéias o tempo todo, além de entrar em choque também com os meus conceitos do que seriam tais regimes, do que eles representavam e como se deu a atuação das massas quando ocorreram.

Assim como inúmeros outros intelectuais que escrevem acerca da política no Brasil, Corrêa também afirma que aqui, mais que em qualquer outro lugar, existiu uma união de forças entre elites para a não existência da participação popular na política, o que da a entender que existiu(te), uma elite organizada muito forte e conservadora. “ Por força da clássica antecipação das “elites”, as massas populares permaneceram neste período( e permanecem ainda nos dias atuais) o parceiro-fantasma no jogo político. Foram a grande força que nunca chegou a participar diretamente dos grandes embates, sempre resolvidos entre quadros políticos dos grupos dominantes, alguns dos quais reivindicando para si a interpretação legitima dos interesses populares.”. A partir da análise desses conceitos impostos no início do texto, fica difícil para o entendimento, a razão de o autor achar que a pressão da população em um populismo, teve tanta expressão assim pois fica claro ao meu ver, que a única razão para os populistas se mobilizarem para mudar algumas coisas em prol da população, foi para que não ocorresse a tão falada mobilização ou organização das massas. Ou seja , antes que a população fizesse sua reivindicação, o Estado lhes cederia alguns direitos. Dessa forma eles continuariam sem participar da vida política .

Para mim isso nada tem de inovador nem de participativo em relação as massas, muito menos constitui uma sociedade cidadã. “De fato, o que essa relação paternalista entre líder e massas contem, de essencial, do ponto de vista político, é apesar da típica assimetria de todo paternalismo, o reconhecimento da cidadania das massas ...(?)”.

Faço essa objeção pois durante o texto o autor afirma que os políticos queriam sim maior participação populacional, e afirma também ter sido essa “forte” participação populacional a causa dos inúmeros regimes paternalistas existentes no pais. Como neste trecho: “...Elas( massas) se encontram ausentes da ação mas se encontram presentes, para qualquer das duas facções em conflito, como uma pressão permanente sobre o status quo oligárquico ...” entra em conflito com a frase : “ ...e a representação das massa nesse jogo estará controlada pelo próprio chefe de estado”

Ao mesmo tempo que defende a forte pressão que as massas exerciam sobre os políticos também fala da noção de manipulação das massas feita por esses mesmo políticos, o que confundi ainda mais quais são as intenções do autor. Como uma massa que é manipulada tem o poder de exercer pressão na figura manipuladora?

Como pode existir vontades e exigências de uma população manipulada? Quando existe manipulação, também não existe uma imposição de vontades e preceitos? “ ...E ai nos defrontamos com um outro limite fundamental da manipulação, que não teria sido possível se os interesses reais das classes populares não tivessem sido atendidos em alguma medida, sem o que não teria persistido o apoio que prestavam a lideres originários de outras classes sociais.”, “ Desse modo , a manipulação é uma relação ambígua, tanto do ponto de vista social como do ponto de vista político...uma relação de identidade entre indivíduos entre o líder que “doa” e os indivíduos que compõem a grande massa de assalariados...” .

No próprio texto ele fala também que existiu um interesse dos populistas em ceder esses direitos trabalhistas por exemplo, para ter um “ controle estrito” do comportamento popular ao mesmo tempo que defende a forte participação ( pressão) popular.

Existem partes nas quais subentende-se que a participação popular foi uma coisa mais psicológica ou melhor imaginaria das pessoas do poder do que realmente um fato consumado : “ As massa populares não fizeram a baderna temida pela direita nem saíram em defesa do governo Goulart como esperavam as lideranças reformistas. Em abril de 1964 elas foram ainda uma vez o parceiro-fantasma no jogo político, em seu nome o reformismo e o governo formulavam sua política de reforma agrária e nacionalizações...” E em outras partes parece que realmente existiu a mobilização das massa : “ Suas lutas,(das massas) que se estendem por todas as primeiras décadas do século, embora não tenham conduzido a claras projeções de transformações políticas, parecem ter sido suficientes para apresentar-se as minorias dominantes como um problema real e, ate certo ponto, como uma ameaça.”

A parte “2-O POVO NO COMÍCIO” , me deixou com inúmeras duvidas a respeito das minhas definições e pensamentos a cerca dos assuntos relatados. Ao me colocar no lugar da população e de lembrar das falas e ações de determinadas pessoas, não seria ruim ter como presidente uma figura que “sede” benefícios a população, como ocorreu `a alguns anos com presidentes paternalistas. E me colocando no lugar da elite e através de experiências próximas posso concluir que a população não gosta de pensar, nem de ter trabalho, não existe uma mobilização da grande população para obtenção dos seus direitos. E pensando dessa forma me encaixo na critica do autor em relação as pessoas que pensam dessa forma. Mais infelizmente não encontrei em nenhum parte do texto referências ou novas idéias para mudar os meus conceitos, ele não me mostrou como na realidade funciona a participação popular.

O autor fala o tempo todo sobre as diferenças do populismo e do nacionalismo mais em nenhum momento ele da a definição do que foi o nacionalismo e quais foram suas repercussões .

Além disso o autor diz que o nacionalismo e o populismo não andam juntos, e essa informação se choca diretamente com a minha idéia de populismo Varguista, por exemplo, que além de ser paternalista exaltava a pátria, o trabalho, inclusive através de propagandas. Outro exemplo não Brasileiro seria os regimes facista e nazista, que atrelavam a figura do presidente ao da pátria.“É curioso, porém, que a hegemonia ideológica do nacionalismo se tenha feito sentir em todas as direções menos uma: a do populismo dado como fato passado ou residual.”

Para finalizar o comentário gostaria de registrar uma duvida: como pode nascer uma democracia de um sistema populista, do qual todos os benefícios são cedidos a sociedade como uma forma de mantimento do poder? Não existindo uma mobilização das massas como o autor afirma em : “...ter a satisfação ingênua de ver no populismo a infância de nossa democracia...”

Ainda há esperança. Que venham os futuros líderes deste país...

Jovens querem ser políticos

USP LESTE - EACH

Vídeo institucional da EACH parte 1.

Vídeo institucional da EACH parte 2.

Opiniões sobre o ciclo básico da EACH. 1

Opiniões sobre o ciclo básico da EACH. 2