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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Brasília - Cidade Constitucional - ANO 2009 - Dias antes.



Partida:

Estou pronto para a viagem à Brasilia, sairemos da EACH no Sábado, 05/09. A partida será às 22h. Vai rolar uma concentração no Espaço dos/as Estudantes a partir das 20h30. Conversando com Tsé. ela contou alguns detalhes, mas o que mais chamou a atenção foi sobre um cara que bebeu muito, vomitou no banco, obrigando o Diow a viajar sentado no corredor do ônibus. Começo a achar que o Diow deve ser azarado nesta questão de marcar lugar.


Procurei relatos das viagens anteriores, parece que houveram pelo menos outras 3. Não encontrei nada. Fiquei ansioso em saber o que vai rolar, qual a programação. pois cá entre nós... viajar num ônibus por mais de 12 horas não é brincadeira, logo as atividades terão que recompensar bem.

Perguntei ao Diow, que foi em 2008, sobre a programação. Ele não foi muito especifico, apenas disse que visitou os ministérios, e que em cada um deles tinha uma palestra. Não detalhou sobre o que versava estas palestras. Não aprofundei o assunto, pois o local, meio do corredor da faculdade não era o local mais apropriado para aprofundar tal conversa. Da Tsé arranquei que o Nerling costuma ser pontual, parece que houve um incidente no domingo, na hora do almoço, após desencontro, o ônibus partiu e deixou alguns "esquecidos" no shopping.

Sobre o cara que botou o Ricardo no chão, parece que gerou um B.O. na faculdade. Não sei o que exatamente significa isto. O B.O. foi para os organizadores ou para o cara, maior de idade, logo responsável pelo seus atos?

De concreto, tal B.O. produziu a proibição de consumir álcool no ônibus, o que de minha parte tem total simpatia, já que não sou usuário contumaz e muito menos fico confortável com a apologia que se faz do uso do álcool dentro da faculdade.

A previsão de chegada em Brasília fica entre 14h30 e 15h30 do Sábado, ou seja saímos às 22h de sábado e aportamos por volta de 15h. Já imaginou uma viagem destas com um bando de embriagados?

Em Brasília:

Uma de minhas preocupações com Brasília é que esta, está numa região terrivelmente seca. Faz muito calor e é sempre bom estar preparado para isso. Levarei colírio e rinossoro. Roupas leves também já fazia parte da minha prioridade. Apesar de ir para uma cidade que deve se apegar profundamente aos rituais e etiquetas, não tinha intenção de levar nada social, talvez uma camisa, se muitol. Fiquei contente em receber o email que sugere o seguinte:

"O ideal é levar roupas leves que permitam nossas visistas aos diversos setores do governo.

Precisaremos, mesmo, de roupa social apenas um dia da semana. Nada muito exagerado também..."

Ficaremos hospedados na ENAP: Lá tem uma cantina que funciona para o café da manhã (não incluso na diária). Tem um mercado perto e a galera acaba preferindo comprar todas as coisas lá, talvez por questão de preços; sabia que Brasilia deve ser o local de maior custo de vida do Brasil, lá as coisas são exagerademente mais caras que em outras cidades, talvez por conta da renda per capita ser bem elevada.

Ao menos os quartos da ENAP tem uma diária de 60 reais e são para 3 pessoas. Nos anos anteriores os organizadores conseguiram desconto de 50% . Ou seja, os custos não serão elevados para a estadia. Conforme Diow e Tsé, a divisão de quem fica com quem nos quartos é de livre escolha. Geralmente os mais afinados, os da mesma turma, aqueles que estão juntos a mais tempo acabam dividindo o mesmo quarto, o que não impede, como relatou a Tsé, de receber visitas à noite de desgarrados que vão rever os amigos e também vão azucrinar a paciência... " Estava a velha em seu lugar e veio a mosca lhe fazer mal." foi umas da musiquinhas que a Denise escolheu para ninar suas vizinhas de quarto.

Tenho intenção de fazer um relato diário sobre nossa estadia em Brasilia, e fiquei surpreso ao receber o email do Caio perguntando se pretendo levar o notebook para a viagem. Sim tenho intenção, os contras são que o meu note é pesado e que tenho receio em deixa-lo no alojamento. Mas estou considerando seriamente a idéia de leva-lo principlamente agora que fiquei sabendo que nos quartos tem ponto de acesso a internet.


Mesmo que não leve, pretendo relatar o dia-a-dia [nunca sei quando é com ou sem hífen], da nossa estadia.


Por enquanto é só isto. Decidi escrever este baseado no email que acabei de receber.


Basilio.


Boa Viagem!

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A CIDADE CONSTITUCIONAL E A CAPITAL DA REPÚBLICA III

PROGRAMAÇÃO

05, 06, 07, 08, 09,10,11,12 de Setembro de 2009

Viagem de estudos certificada como ensino e extensão universitária
Projeto1 Interdisciplinar do Curso de GPP,2 LZT e GA
Escola de Artes, Ciencias e Humanidades – EACH/USP
Centro Acadêmico Herbert de Souza
Observatório Interdisciplinar de Políticas Públicas
Conteúdo Programático

Dia 06/09/2008 – Domingo
14:00 – Chegada ao Alojamento – ENAP – Escola Nacional de Administração Pública
Dia 07/09/2008 – Segunda-feira
07:00 – Café da Manhã
08:00 – Saída da Comitiva para a Parada Cívica e Militar
09:00 – Parada Cívica e Militar - Desfile Oficial de Independência
11:30 – Visita ao Supremo Tribunal Federal - STF3
13:00 – Visita Torre de TV4
15:00 - Retorno para a ENAP


1 ALMEIDA, Paulo Santos; NERLING, Marcelo Arno; RAIMUNDO, Sidnei; VAZ, José Carlos. Projeto
interdisciplinar. São Paulo: Mimeo, 2009. Monitoria: Rodrigo Luppi e Valéria Silvestre. Apoio ´pedagógico,
administrativo e financeiro, da Escola de Artes, Ciencias e Humanidades: Dr. Dante de Rose Junior; Dr. José Renatoampos de Araujo; Luciano Piccoli; Jandira Pedretti da Silva; Evandro Fioravante Gonçalves; Andrea Pedroso; Augustaaratelli; Marcus Vinicius Cerrato; Nilva Fatima de Souza; Marcos Antonio Lobato de Oliveira; Ieda Reginatavarengo; Elisabete Aparecida dos Santos; Ana Paula Vicente. Gestor do Projeto: Prof. Dr. Marcelo Arno Nerling –mnerling@usp.br.
2 Projeto de duração continuada do Curso de Gestão de Políticas Públicas. A dotação para as diárias, transporte e despesas de combustível e manutenção corre por conta do orçamento da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, da Universidade de São Paulo. Cada Curso envolvido no Projeto deve encaminhar a demanda de diárias de professores ou administrativos. Ver a 'planílha de solicitação financeira' da Unidade, elaborada para o semestre letivo seguinte, como programação financeira.
3 O Supremo Tribunal Federal é o órgão de cúpula do Poder Judiciário. Nome do Órgão/Entidade: Supremo Tribunal Federal. CNPJ: 00531640/0001-28. Ente da Federação: União. Esfera do Poder: Judiciário. Natureza da
Administração: Direta. A ele compete, precipuamente, a guarda da Constituição, conforme definido no art. 102 da Constituição Federal. O Supremo Tribunal Federal é composto por onze Ministros, brasileiros natos (art. 12, § 3º, IV, da CF/88), escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (art. 101 da CF/88), nomeados pelo Presidente da República, após aprovação da escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. O Tribunal indica um de seus Ministros para compor o Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B, I, da CF/88) e três para compor o Tribunal Superior Eleitoral (art. 119, I, a, da CF/88). Entre suas principais atribuições está a de julgar a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual, a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, a argüição de descumprimento de preceito fundamental decorrente da própria Constituição e a extradição solicitada por Estado estrangeiro. Na área penal, destaca-se a competência para julgar, nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República, entre outros. Em grau de recurso, sobressaem-se as atribuições de julgar, em recurso ordinário, o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão, e, em recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição. A partir da Emenda Constitucional n. 45/2004, foi introduzida a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal aprovar, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, súmula com efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração


Dia 08/09/2008 – Terça-feira
07:00 – Café da Manhã
08h30 – II Seminário 'Papel da ENAP na Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal' – Escola Nacional de
Administração Pública 5
10:30 – Deslocamento
12:00 – Seminário DNIT – O Sistema federal de viação e os modais rodoviário, aquaviário e ferroviário 6
13h30 – Almoço Restaurante Camara dos Deputados
14:30 – Seminário - 'O Licenciamento Ambiental' – Casa Civil da Presidencia da República7 - Auditório do
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal (art. 103-A da CF/88). O Plenário, as Turmas e o Presidente são os órgãos do Tribunal (art. 3º do RISTF/80). O Presidente e o Vice-Presidente são eleitos pelo Plenário do Tribunal, dentre os Ministros, e têm mandato de dois anos. Cada uma das duas Turmas é constituída por cinco Ministros e presidida pelo mais antigo em sua composição (art. 4º, § 1º, do RISTF/80).Visitação aberta. No dia da Independência à partir das 11:30. Ver: http://www.stf.jus.br/portal/principal/principal.asp.
4 Uma lembrança de JK: "Deste Planalto Central, desta solidão em que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável em seu grande destino". 02/10/56.
5 CARVALHO, Paulo Sergio de. Diretor de Formação Profissional da ENAP. Vinculada ao Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão, a Fundação Escola Nacional de Administração Pública - ENAP foi criada em 1986. Sua missão é desenvolver competências de servidores públicos para aumentar a capacidade de governo na gestão de políticas públicas, sendo público prioritário os dirigentes e potenciais dirigentes do governo federal..
Vejam que a ENAP utiliza duas plataformas virtuais para a oferta de cursos a distância. Nas orientações de acesso ao curso, será informado o ambiente que você deverá utilizar. Fique atento e selecione corretamente: Escola Virtual ENAP ou Escola Virtual ENAP – Moodle. Para navegar na Escola Virtual, você deverá ter recebido a confirmação de sua inscrição em um curso e uma senha inicial. a lista de discussão e as comunidades virtuais. Vou apontar um exemplo: Para a ENAP, o campo temático da Liderança/Negociação/Comunicação é uma das prioridades de sua atuação para a melhoria da capacidade de gestão na Administração Pública. Em razão disso, foi criada esta Comunidade Virtual Liderança-Negociação-Comunicação – LNC. Esta Comunidade Virtual é um espaço de participação e compartilhamento de informações e idéias entre colaboradores internos e externos preocupados e envolvidos com este campo temático. Criada em 10 de julho de 2008, atenderá inicialmente aos que participarão do Curso LRA – Liderança: Reflexão e Ação realizado especificamente para a preparação de novos facilitadores desse curso, em razão da grande demanda. Disponibilizam materiais necessários à participação no Curso LRAFacilitadores e criam espaços de compartilhamento entre os membros da Comunidade LNC. Todos poderão contribuir para fazer deste espaço um rico ponto de encontro entre os colaboradores da ENAP interessados nesta temática.Apoio de Luciano Pinheiro Costa. Assessoria da Presidência - SAIS - Área 2-A - Sala 230 - Brasília/DF – 70610-900 - Tel: 55 61 2020 3433. luciano.costa@enap.gov.br 
6 PAGOT, Luiz Antonio. O Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes – DNIT é o órgão executor da política de transportes determinada pelo Governo Federal. Autarquia vinculada ao Ministério dos Transportes, foi implantada em fevereiro de 2002 para desempenhar as funções relativas à construção, manutenção e operação de infra-estrutura dos segmentos do Sistema Federal de Viação sob administração direta da União nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário, conforme Decreto nº 4.129 de 13/02/2002. É dirigido por um Conselho
Administrativo e por sete diretores nomeados pelo Presidente da República e conta com recursos da União para a execução das obras. http://www.dnit.gov.br/menu/institucional. Apoio: Fanciele Leão ranciele.leao@dnit.gov.br
(61) 3315-4597.

7 PEREIRA, Mariovaldo de Castro Pereira. Subchefia para assuntos jurídicos da Casa Civil da Presidencia da
República. (61) 3411-1290. A Casa Civil é um órgão essencial da Presidência da República e tem como área de
competência os seguintes temas: I - assistência e assessoramento direto e imediato ao Presidente da  República no desempenho de suas atribuições, em especial nos assuntos relacionados com a coordenação e na integração das ações do Governo; II - verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais; III - avaliação e monitoramento da ação governamental e dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, em especial das metas e programas prioritários definidos pelo Presidente da República; IV - análise do mérito, da oportunidade e da compatibilidade das propostas, inclusive das matérias em tramitação no Congresso Nacional, com as diretrizes governamentais; V - publicação e preservação dos atos oficiais; VI - supervisão e execução das atividades administrativas da Presidência da República e, supletivamente, da Vice-Presidência da República; VII - avaliação da ação governamental e do resultado da gestão dos administradores, no âmbito dos órgãos integrantes da Presidência da República e Vice-Presidência da República, além de outros determinados em legislação específica, por intermédio da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial; VIII - execução das Ministério da Cultura

17:00 – II – Seminário – 'Políticas públicas macrogovernamentais da cultura'8 - Auditório do Ministério da
Cultura
20:00 – Temporada de música clássica promovida pelo Ano da França no Brasil9
23:00 - Retorno ENAP

Dia 09/09/2008 – Quarta-feira
07:00 – Café da Manhã
07:45 – Deslocamento até a Praça dos Três Poderes – Os símbolos da República
09:00 – II Seminário no Ministério do Trabalho e Emprego – As diretrizes nacionais e a rede de gestores
públicos de economia solidária.10
12:00 - Almoço no Restaurante do TCU
14:00 – Sessão do Pleno do TCU. Seminário – 'O controle externo unificado: Convenios e o Conselho Nacional
de Contas. Visita guiada. Tribunal de Constas da União - TCU11 atividades de apoio necessárias ao exercício da competência do Conselho Superior de Cinema (Concine) e do Conselho Deliberativo do Sistema de Proteção da Amazônia (Consipam); IX - operacionalização do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam); e X - execução das políticas de certificados e normas técnicas e operacionais, aprovadas pelo Comitê Gestor da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil). http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/casa_civil/sobre/.

8 CAVALCANTI, Gustavo Carneiro Vidigal. Secretário Executivo Adjunto do Ministério da Cultura. Tel.: (61) 3316-
2096. Fax: (61) 3226-4484/3324-5829. E-mail: gustavo.vidigal@cultura.gov.br. Ministério da Cultura – MinC.
Esplanada dos Ministérios, Bloco B. CEP 70068-900. Brasília - Distrito Federal - Telefone: (61) 2024-2000.
9 LEVIN, Ira. Regencia; As Parábolas. Concerto para piano nº 2; Solista Max Barros; Sinfonia nº 3 'Singuliére';
Abertura Egmont opus 84. Orquestra Sinfonica do Teatro Nacional. Sala Villa-Lobos. É a maior das três salas do
Teatro Nacional. Destinada a espetáculos e eventos de dança, música, teatro, ópera e outros. Foi inaugurada em 1981, mas antes, quando era só um esqueleto, abrigou concursos de miss, missa do galo, torneio de basquete e baile
de carnaval. O TNCS tem uma platéia de 1307 poltronas numeradas, em cinco setores, um camarote presidencial
para 15 espectadores, um palco em piso fixo de tábua corrida com quarteladas com 450 metros quadrados e
profundidade de 25 metros, largura mínima de 12,80 metros e máxima de 16 metros, com elevador de palco,
incluindo ainda as coxias com oito metros de profundidade, 17 camarins. Bilheteria: (61) 3325-6239 e 3325-6256
das 12-20 h. Contato Orquestra: Sr. Antonio Carlos – antoniocarlos@sc.df.gov.br.
10 Secretaria Nacional de Economia Solidária. http://www.facesdobrasil.org.br/component/content/article/6-comerciojusto—
economia-solidaria/390-boletim-acontece-senaes-edicao-especial.html, 07/2009. Promoção de assistência
técnica gerencial por meio de projetos de cooperação elaborados de forma participativa, que incorporem a dimensão cultural e territorial nos processos produtivos, fortalecendo práticas autogestionárias, justas e solidárias nos processos produtivos, melhorando a qualidade dos produtos, assessorando na elaboração de planos de negócio, de planos de marketing e nos registros fiscais e contábeis adequados à legislação vigente. A ação também propiciará a identificação e apoio à constituição e fortalecimento de redes de cooperação, favorecendo a consolidação de formas de articulação econômica dos empreendimentos solidários no Brasil. Promover a assistência técnica gerencial aos Empreendimentos Econômicos Solidários e apoiar a constituição e fortalecimento de Redes de Cooperação. http://www.mte.gov.br/ecosolidaria/prog_fomento_assistencia.asp.

11 Tribunal de Contas da União. A história do controle no Brasil remonta ao período colonial. Em 1680, foram criadas as Juntas das Fazendas das Capitanias e a Junta da Fazenda do Rio de Janeiro, jurisdicionadas a Portugal. Em 1808, na administração de D. João VI, foi instalado o Erário Régio e criado o Conselho da Fazenda, que tinha como atribuição acompanhar a execução da despesa pública. Com a proclamação da independência do Brasil, em 1822, o Erário Régio foi transformado no Tesouro pela Constituição monárquica de 1824, prevendo-se, então, os primeiros orçamentos e balanços gerais. A idéia de criação de um Tribunal de Contas surgiu, pela primeira vez no Brasil, em 23 de junho de 1826, com a iniciativa de Felisberto Caldeira Brandt, Visconde de Barbacena, e de José Inácio Borges, que apresentaram projeto de lei nesse sentido ao Senado do Império. As discussões em torno da criação de um Tribunal de Contas durariam quase um século. Somente a queda do Império e as reformas políticoadministrativas da jovem República tornaram realidade, finalmente, o Tribunal de Contas da União. Em 7 de novembro de 1890, por iniciativa do então Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, o Decreto nº 966-A criou o Tribunal de Contas da União, norteado pelos princípios da autonomia, fiscalização, julgamento, vigilância e energia. A Constituição de 1891, a primeira republicana, ainda por influência de Rui Barbosa, institucionalizou definitivamente o Tribunal de Contas da União, inscrevendo-o no seu art. 89. A instalação do Tribunal, entretanto, só ocorreu em 17 de janeiro de 1893. Originariamente o Tribunal teve competência para exame, revisão e julgamento de todas as operações relacionadas com a receita e a despesa da União. A fiscalização se fazia pelo sistema de registro prévio. A 17:30 – Visita Hermida Dom Bosco12 21:00 – Atividade de ensino interdisciplinar - Seminário – 'O direito e a gestão achados na rua' – Faculdade de Direito da Universidade de Brasília - UnB13 23:30 – Retorno ENAP

Dia 10/09/2008 – Quinta-feira
07:00 – Café da Manhã
09:00 – III Seminário Interlegis - USP – O processo legislativo: boas leis e legística. Auditório do Interlegis14
10:30 – Congresso Nacional
11:00 – Senado da República – Seminário na Comissão de Meio Ambiente do Senado15
Constituição de 1891, institucionalizou o Tribunal e conferiu-lhe competências para liquidar as contas da receita e da despesa e verificar a sua legalidade antes de serem prestadas ao Congresso Nacional. Logo após sua instalação, porém, o Tribunal de Contas considerou ilegal a nomeação, feita pelo Presidente Floriano Peixoto, de um parente do ex-Presidente Deodoro da Fonseca. Inconformado com a decisão do Tribunal, Floriano Peixoto mandou redigir decretos que retiravam do TCU a competência para impugnar despesas consideradas ilegais. Pela Constituição de 1934, o Tribunal recebeu, entre outras, as seguintes atribuições: proceder ao acompanhamento da execução orçamentária, registrar previamente as despesas e os contratos, julgar as contas dos responsáveis por bens e dinheiro públicos, assim como apresentar parecer prévio sobre as contas do Presidente da República para posterior encaminhamento à Câmara dos Deputados. Com exceção do parecer prévio sobre as contas presidenciais, todas as demais atribuições do Tribunal foram mantidas pela Carta d e 1937. A Constituição de 1946 acresceu um novo encargo às competências da Corte de Contas: julgar a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões. A Constituição de 1967, ratificada pela Emenda Constitucional nº 1, de 1969, retirou do Tribunal o exame e o julgamento prévio dos atos e dos contratos geradores de despesas, sem prejuízo da competência para apontar falhas e irregularidades que, se não sanadas, seriam, então, objeto de representação ao Congresso Nacional. Eliminou-se, também, o julgamento da legalidade de concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ficando a cargo do Tribunal, tão-somente, a apreciação da legalidade para fins de registro. O processo de fiscalização financeira e orçamentária passou por completa reforma nessa etapa. Como inovação, deu-se incumbência ao Tribunal para o exercício de auditoria financeira e orçamentária sobre as contas das unidades dos três poderes da União, instituindo, desde então, os sistemas de controle externo, a cargo do Congresso Nacional, com auxilio da
Corte de Contas, e de controle interno, este exercido pelo Poder Executivo e destinado a criar condições para um controle externo eficaz. Finalmente, com a Constituição de 1988, o Tribunal de Contas da União teve a sua
jurisdição e competência substancialmente ampliadas. Recebeu poderes para, no auxílio ao Congresso Nacional, exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, à legitimidade e à economicidade e a fiscalização da aplicação das subvenções e da renúncia de receitas. Qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária tem o dever de prestar contas ao TCU. http://portal2.tcu.gov.br/TCU. Setor de Administração Federal Sul - SAFS, Quadra 4 Lote 1, CEP 70042-900, Brasília / DF. Elciana (61) 3316-5368. ACERI: aceri@tcu.gov.br. 


12 A capela é uma homenagem ao Santo italiano São João Bosco. Foi construída, em forma de pirâmide, às margens do Lago Paranoá proporcionando uma espetacular visão do pôr do sol no horizonte da cidade. O acesso é feito pela Lago Sul em direção à Barragem do Paranoá. 


13 FD/UNB. http://www.fd.unb.br/. Professores: Dr. Argemiro Cardoso Moreira Martins; Dr. Valcir Gassen; Dr.
Cristiano Paixão, COSTA, Alexandre Bernardino. Uma homenagem ao Professor Roberto Lyra Filho. Auditório
UNB.

14 CARVALHO, James; MACHADO, Luis Fernando. O Programa Interlegis. Contando com a adesão de mais de 4 mil câmaras, destas, 3.500 receberam equipamentos, perfazendo um total de 63 por cento de câmaras municipais brasileiras, o Interlegis também equipou as assembléias legislativas, com uma sala de multiuso, com vinte microcomputadores ligados a um micro servidor e uma sala com equipamentos de videoconferência. As câmaras municipais recebem um computador e uma impressora. Com as salas de videoconferência foi criada a Rede Nacional Interlegis-RNI, ligando o Senado Federal, Câmara dos Deputados, Tribunal de Contas da União, Câmara Legislativa do Distrito Federal e assembléias. Vários produtos e serviços estão disponibilizados pelo programa, com objetivo de ajudar no trabalho do parlamentar e do corpo administrativo. Os sistemas oferecidos pelo Interlegis são todos em software livre, o que possibilita a sua adaptação às necessidades de cada casa legislativa. Dentre todos os produtos e serviços oferecidos, o que tem sido muito procurado é o portal modelo para que as casas possam ter seu endereço na internet, contribuindo para maior transparência nas atividades legislativas. Contato: neranto@gmail.com. Ver: http://www.interlegis.gov.br/processo_legislativo/censo .

15 CASAGRANDE, Renato. O Senador Renato Casagrande nasceu em Castelo - ES, em 03 de dezembro de 1960.
15:00 – Visita Guiada na Camara dos Deputados16
14:30 – Palácio do Alvorada17
18:30 – III Seminário Ministério da Justiça - USP – 'A condenação por tráfico de drogas no Brasil'18
20:30 – Ponte JK

Dia 11/09/2009 – Sexta-feira
09:00 – Café da Manhã
10:45 – Avaliação, resultados e perspectivas
12:00 – Almoço
13:30 – Checkout
14:00 – On the road

Dia 12/09/2009 – Sábado
06:00 – Previsão de chegada São Paulo


15 Engenheiro Florestal (formado pela Universidade Federal de Viçosa-MG) e bacharel em Direito (formado pela
Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim). Secretário de Obras e Serviços Públicos, filiado ao Partido
Socialista Brasileiro (PSB), é ativista da proteção ambiental e associativista na área acadêmica e de bairro. Deputado Estadual, compõe com Vitor Buaiz do PT, assumindo a condição de Vice-Governador. Secretário de Estado da Agricultura, disputou o Governo do Estado. Membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente e Presidente da Associação Nacional de Municípios de Meio Ambiente, foi Secretário de meio ambiente. Deputado Federal pelo PSB, tem sido apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – Diap, como um dos parlamentares mais influentes do Congresso. [Diap é constituído, hoje, por cerca de 900 entidades sindicais de trabalhadores congregando Centrais, Confederações, Federações, Sindicatos e Associações distribuídas em todos os Estados e Territórios do Paí]s. Apresentou projetos que acabaram com o pagamento pelas sessões extraordinárias (jetons) na Câmara Federal. Em 2006 a população capixaba o elegeu Senador da República. No Senado, o Diap o aponta como um dos mais influentes parlamentares, destacando-se pela articulação, organização e formulação de debates, para o Congresso. Defensor da fiscalização do Executivo e com o papel de crítico do próprio Parlamento, preside a Comissão Permanente de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor. É membro titular das Comissões de: Educação; Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática; Assuntos Econômicos; e da Subcomissão Permanente de Serviços de Informática. Foi relator da Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas e atualmente é relator da Comissão Temporária de Reformulação do Código de Processo Penal. Relatou o processo de cassação do então presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, em 1997, na comissão de ética e decoro parlamentar. O Senador é autor do projeto de resolução que criou o Portal da Transparência no Senador Federal. Foi relator da Lei do Cooperativismo no Brasil. Tramita no Senado, projeto de sua autoria que institui a Lei de Qualidade Fiscal na Administração Pública. Contato Flávio Mesquita (GPP) e Isa Cristina Britto Pinheiro, isacris@senado.gov.br, (61) 3303-1129.

16 O Programa 'Visite o Congresso' recebe cerca de 150 mil visitantes por ano. A Câmara dos Deputados recebe todos os brasileiros e que o mundo todo possa sempre encontrar a Camara de portas abertas, atuante, digna e à altura desse imenso país. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, mantêm um serviço  integrado de atendimento ao visitante. O Programa funciona todos os dias da semana, inclusive nos fins de semana e feriados, todos os meses do ano. Aí se pode receber informações, sobre a história do Congresso Nacional e sobre as esculturas, os quadros e os painéis, que se encontram espalhados pelos espaços da Casa. Nos dias de semana, grupos a partir de 15 pessoas, até o máximo de 50, precisam agendar e fazer sua visita com hora marcada. É muito fácil agendar uma visita com 48 horas de antecedência. Ver: http://www2.camara.gov.br/conheca/visiteacamara.

17 A visita ao Palácio da Alvorada é realizada às quartas-feiras, das 15h às 17h30. Para melhor organização dos grupos de visitantes são distribuídas no máximo trezentas senhas, que correspondem à capacidade de Atendimento durante o horário estabelecido. As visitas são gratuitas. Para maiores intormações ligue para a Coordenação de Relações Públicas - (61) 34112317 ou escreva para corep@planalto.gov.br
18 ABRAMOVAY, Pedro Vieira. Elaboração legislativa do Ministério da Justiça. Endereço: Esplanada dos
Ministérios, Bloco T, Ministério da Justiça, 4º andar, sala 426, Brasília/DF. CEP: 70064-9. F: 61 2025.3376.
Competência: I - prestar assessoria ao Ministro de Estado, quando solicitado; II - supervisionar e auxiliar as
comissões de juristas e grupos de trabalho constituídos pelo Ministro de Estado; III - coordenar o encaminhamento dos pareceres jurídicos dirigidos à Presidência da República; IV - coordenar e supervisionar, em conjunto com a Consultoria Jurídica, a elaboração de decretos, projetos de lei e outros atos de natureza normativa de interesse do Ministério; V - acompanhar a tramitação de projetos de interesse do Ministério no Congresso Nacional e compilar os pareceres emitidos por suas comissões permanentes; e VI - proceder ao levantamento de atos normativos conexos com vistas a consolidar seus textos. Competência estabelecida pelo Decreto nº 6.061, de 15 de março de 2007, Anexo I.


'Só há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana, mas não estou seguro da primeira. Da segunda,

terça-feira, 30 de junho de 2009

TRABALHO FINAL - PROVA 2 - SOCIEDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS - SPP - PROF. Dr. WAGNER IGLECIAS

TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE CURSO PARA DISCIPLINA SOCIEDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS.

Seu professor Wagner Tadeu Iglecias da turma Sociedade e Políticas Públicas - 2009/1

Turma 02 do CoL enviou-lhe esta mensagem:

Prezados(as) alunos(as),   Envio esta mensagem para, uma vez mais, informar-lhes que o  trabalho de conclusão da disciplina Sociedade e Políticas Públicas  deve ser feito em grupo de até 4 pessoas, e deve abordar algum  programa ou política pública adotado nos últimos 20 anos em nosso  país. Descrevam o programa ou a política, o processo de sua  construção, os atores envolvidos, sua implantação,  os beneficiários, a abrangência, as metas estabelecidas e as  efetivamente alcançadas, sua eventual reformulação etc.,  sempre tendo como pano de fundo a interação entre representantes  da sociedade civil organizada e o Estado. Um trabalho  de 10 a 15 páginas me parece razoável neste caso.   Abs  Prof. Wagner Iglecias 

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ARTES, CIÊNCIAS E HUMANIDADES

Sociedade e Políticas Públicas

Prof. Dr. Wagner Iglecias

Daniel Kurokaua Marinho - 0000000

Ildeu Basilio Pereira – 0000000

Rafael Prado Celso - 0000000




Programa Remédio em Casa:

Descrição e análise

de dados referente a Política Pública











São Paulo – SP

Junho/2009


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Programa Remédio em Casa: Descrição e análise

de dados referente a Política Pública

Objeto de Pesquisa e objetivos:

O presente artigo tem como objeto de pesquisa a política pública do município São Paulo denominada "Remédio em Casa" e visa identificar os critérios utilizados para o fornecimento de medicamentos, analisando se, de fato, seus critérios respeitam parâmetros de seleção e cadastro de beneficiários.

Programa Remédio em Casa - Introdução:

O programa "Remédio em Casa", na gestão da prefeita Marta Suplicy, e, como tal, foi amplamente usado em sua campanha de reeleição. Nasceu de forma tímida, e, com o seu sucesso inicial, expandiu para várias regiões da cidade. Este programa não é originário da cidade de São Paulo, surgiu antes em diversas cidades de outros estados, sendo uma das mais conhecidas o Rio de Janeiro, onde o programa já esta em vigência há vários anos, inclusive com bom controle do programa por parte do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e do Poder Legislativo dos municípios agraciados com esta política de entrega de remédio em casa.

O processo teve origem com o governo da Marta Suplicy, e a desativação do PAS, bandeira política de Paulo Maluf. Neste período do PAS, a saúde da cidade de São Paulo sofreu grande revés no quesito qualidade, e ainda sofreu represálias por parte do governo federal, que cortou verbas da saúde advindas do SUS. O Sistema Único de Saúde (SUS), uma política pública de saúde em gestação desde anos 80, e uma das mais avançadas do mundo em que a prioridade é universalizar o atendimento à toda a população, sem restrição, preconiza que só receberá verbas públicas da União, os serviços de saúde que forem prestados pela administração direta, sejam elas municipal, estadual ou da União.

O Programa Remédio em Casa, que nasceu com uma bandeira do Partido dos Trabalhadores, acabou virando política de Estado, pois atravessou governos de partidos diferentes, e perdura até hoje, sendo ampliada e incentivada. Este incentivo, como veremos no decorrer deste trabalho, acabou se tornando um programa de governo, pois, as atuais gestões tem feito uso eleitoral desta política pública ampliando, de forma desordenada e sem critérios, a entrega de medicamentos em casa.

Objetivos do Programa:

A proposta inicial do programa visa disponibilizar medicamentos voltados para pacientes que possuam hipertensão e/ou diabetes – e promover a adesão destes pacientes ao programa que garante, dentre seus objetivos, continuidade de tratamento, facilidade assumindo um compromisso de integral assistência, inclusive, farmacêutica.

Beneficiários:

Quando analisamos o quadro de beneficiários desta Política Pública, o programa "Remédio em Casa", visa atingir pacientes das Unidades Básicas de Saúde da cidade de São Paulo, portadores de necessidades especiais, idosos, e, inclusive que possuam indisponibilidade de horário, haja visto que a maioria das Unidades Básicas de Saúde, UBS, funcionam entre 7 horas e 19 horas.

De modo geral, esta política pública visa facilitar o acesso a medicamentos para pacientes que sofrem de Hipertensão arterial (PHA) e Diabetes mellitus (PDM), doenças crônicas, que necessitam de tratamento periódico, acompanhamento médico e disponibilidade de medicamentos.

Revisão bibliográfica:

A escassa literatura sobre o tema revela ausência de estudos significativos sobre a avaliação do Programa "Remédio em Casa", pois, a maioria dos artigos publicados sobre o tema são de cunho publicitário e as poucas informações encontradas, estão muito mais no âmbito político do que na avaliação das políticas públicas.

No site da PMSP (Prefeitura Municipal de São Paulo), é possível ler que o programa Remédio em Casa "consiste na entrega, via remessa postal, de medicamentos anti-hipertensivos e hipoglicemiantes orais em quantidades suficientes para o período de 90 dias, aos portadores de HA (Hipertensão arterial) e DM (Diabetes mellitus) estáveis e controlados em acompanhamento nas Unidades de Saúde." e que "O objetivo principal do Programa é garantir o acesso mais efetivo aos medicamentos selecionados para o tratamento da HA e do DM.".

Basicamente, de acordo com a literatura disponível, o programa atinge 416 unidades básicas de saúde (UBS). A única referência sobre o seu processo de criação é a data da implantação, que aconteceu a partir de julho de 2005, sem nenhuma referência ao processo de estudos para a implementação que ocorreu na gestão anterior.

Inclusive órgãos competentes para a avaliação e controle das políticas públicas, tais como o Tribunal de Contas do Município (TCM) ou a Câmara dos Vereadores carecem de avaliações sobre o programa "Remédio em Casa".

O Rio de Janeiro tem aparecido frequentemente nas respostas sobre "Remédio em Casa", com destaque para artigos relacionados a avaliação e controle do programa. No documento "Avaliação do Programa Remédio em Casa" de 2005, do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, há um criterioso estudo sobre a eficácia e os gastos com o programa.

Não foi possível construir um histórico do Programa Remédio em Casa. Dessa forma, não localizamos qual foi a primeira cidade a instalar, como foi a demanda, se ela nasceu de algum movimento popular ou se foi instituída em algum gabinete, vindo de cima para baixo conforme nos ensina Dahl.

Análise e avaliação do programa:

Como já identificado, os medicamentos que fazem parte desta política pública, são aqueles voltados para hipertensão e diabetes. Usuários do sistema publico de saúde e que são portadores destas doenças, devido a necessidade de controle, periodicamente passam em consultas com clínicos das UBS. No inicio do tratamento as consultas médicas costumam ser freqüentes (uma vez por mês) e, conforme o tratamento surte efeito, as consultas aos médicos vão se espaçando (1 consulta a cada 60 dias, um consulta a cada 90 dias, até chegar a uma consulta por semestre).

O tratamento consiste em aferição periódica da pressão e controle da glicemia, e, se for observado estabilidade no paciente, este recebe prescrição médica com medicamentos necessários e que invariavelmente estão disponível nas farmácias das próprias UBS com distribuição gratuita. A receita é classificada como "uso continuo", que no caso das receitas emitidas pela PMSP tem validade de até 180 dias, ou seja, são medicamentos que devem ser usados regularmente e sem previsão de parada.

Sendo assim, já que estes pacientes "estão estabilizados" em suas doenças, supostamente podem evitar sua ida até a UBS, aliviando o fluxo de entrega de medicamentos de suas farmácias (ineficientes na entrega e nos estoque de medicamentos; longas filas e tratamento nada cortês por parte de funcionários).

Infelizmente, uma boa política pública nem sempre é aplicada da forma como foi pensada (ou será que nós, "expectadores" construímos um ethos para as políticas?). O contrato de entrega para medicamentos foi fechado com os Correios, que faz a entrega por meio de Sedex e o usuário pode receber estes medicamentos em casa ou o endereço mais conveniente, desde que seja dentro da cidade de São Paulo.(SIMÕES, 2006)

Como esta política pública agradou aqueles que realmente necessitam deste serviço, em pouco tempo virou pauta de campanha eleitoral, e, na ultima eleição para prefeito de SP houve vasta propaganda deste serviço, levando o cidadão a acreditar que qualquer um estava apto a participar do programa "Remédio em Casa" – definitivamente este não é o propósito desta política e iremos listar os pontos negativos de sua atual gestão.

Aspectos negativos:

Mancur Olson fez do comportamento desses indivíduos racionais, que se apropriam das coisas públicas, o objeto de seu estudo, onde eles se juntam, com um interesse comum para obter um benefício coletivo, neste caso promoção eleitoral, por "meios eficientes e efetivos" formando associações ou os chamados "grupos econômicos" cuja finalidade é obtenção deste benefício com vantagens eleitorais para seus membros.

O que era uma boa idéia de como fazer política pública, desviou-se para o aproveitamento eleitoral. As UBS começaram a ser pressionadas a aumentar a oferta deste serviço. Só que este serviço é voltado para pessoas acamadas e com dificuldade de locomoção. Numa UBS, poucos são as pessoas que se encaixam neste perfil, mesmo porque, os portadores de hipertensão e diabetes, precisam visitar regulamente a UBS para aferir a pressão e fazer testes de glicemia, portanto é muito comum verificar que estas pessoas dificilmente ficam mais do que 30 dias sem aparecer na enfermagem destas unidades.

É comum também que portadores de hipertensão arterial e diabetes sofram de outras doenças, sendo necessário o uso de medicamentos que não faz parte do programa Remédio em Casa, sendo necessário que este venha até a UBS retirar.

Apesar destas peculiaridades, ainda assim as UBS foram pressionadas a aumentar o número de usuários do programa, o que acabou ocasionando "fatos bizarros" - a exemplo de beneficiários que recebem em casa remédio para 90 dias e mesmo assim comparece a UBS mensalmente para retirar outros tipos de medicamentos. Existem histórias, confirmadas por funcionários das UBS, de usuários que receberam o Remédio em Casa e que cientes dos custos, vão até a UBS para cancelar o serviço de entrega. Não obstante, há outros casos de pessoas que freqüentam a unidade semanalmente e que ainda assim recebem mensalmente medicamentos em casa. Existem também UBS, onde as farmácias não estão saturadas, mas mesmo assim seus funcionários são pressionados a aumentar o número de beneficiários inclusos no programa "Remédio em Casa".

Como esta determinação da Coordenadoria de Saúde das subprefeituras, em ampliar o número de beneficiados pelo programa, vinha sendo descumprida pelos profissionais da saúde, médicos, farmaceuticos e técnicos em farmácia, a coordenadoria divulgou um memorando alertando que o Programa Remédio em Casa é um dos itens que faz parte da avaliação de desempenho e que desta forma pode interferir na gratificação de produtividade do funcionário, afetando seus rendimentos salariais.

O desperdício de recursos públicos é gritante. A entrega destes medicamentos poderiam ser feitas por agentes de saúde das UBS onde esta instalado o Programa Saúde da Família. Saúde da Família é um programa instituído pelo Governo Federal em colaboração com a prefeituras que visa prestar assistência medica na casa o cidadão, consistem em ter uma equipe de médico, 2 enfermeiros e 8 agentes de saúde; agentes estes que tem a obrigação de visitar o usuário no mínimo uma vez a cada 30 dias.

Logo, se os agentes já são remunerados para ir a casa do usuário, por que não incumbir-lhes a obrigação de levar, mesmo que apenas para aqueles que tem dificuldade de locomoção, o Remédio em Casa? Deixar este programa para as UBS que não tem equipes de Saúde da Família seria uma atitude lógica, pois além de reduzir custos, o serviço poderia ser aprimorado para incluir outros medicamentos e, ai sim ajudar no fluxo de atendimento das farmácias.

Falando em farmácias, se o interesse real é agilizar o atendimento nas farmácias, por que não permitir que se possa retirar nestas farmácias medicamentos para dois ou três meses? Já que no programa Remédio em Casa o usuário recebe medicamento para 90 dias, poder-se-ia também permitir que as farmácias tomassem o mesmo procedimento.

Conclusão:

Diante do exposto, o acompanhamento e avaliação do programa se faz necessário para garantir que sejam alcançados seus objetivos iniciais. Garantir o acesso aos medicamentos e melhora dos indicativos de saúde da população atendida. A avaliação é tão importante quanto o planejamento e a implementação no processo construção de políticas públicas, os três pilares da construção de uma boa política pública.

Portanto, a avaliação é um elemento importante de informação para a decisão de manter, melhorar ou mesmo cancelar um programa. A avaliação vai dar subsídios para estabelecer a discussão e auxiliar os gestores de políticas públicas no apontamento de falhas e problemas e instrumentalizá-los para que possam desencadear possíveis soluções.

Existem muitos usuários que fazem confusão com a enorme e diferente quantidade de medicamentos que precisam fazer uso diário. A falta de uma adequada assistência farmacêutica, não permitem aos profissionais identificar adequadamente usuários misturam medicamentos, trocam horários, ou se esquecem de tomar. Um dos poucos momentos em que é possível detectar este problema é na conversa que o profissional tem ao entregar o medicamento.

É freqüente a necessidade de orientações e, geralmente durante a entrega dos medicamentos, os dispensadores, muitos em desvio de função perguntam aos usuários se estão tomando o medicamento direito, como esta sua saúde, se estão fazendo as aferições regulares de hipertensão arterial e diabetes. Ou seja, cuidamos do usuário e se observado alguma anormalidade, este usuário é direcionada para a enfermeira para uma análise mais apurada do seu caso. O atendimento dado pelo profissional da farmácia vai além da simples entregas de frascos e comprimidos. (GB LIMA, 2008)

Quando tiramos o usuário da UBS por 90 dias, o usuário recebe em casa medicamentos para 90 dias de uso, perdemos o vínculo e o acompanhamento deste. Todos sabemos da dificuldade de recursos humanos no Serviço de Saúde, só que não é divulgado que a necessidade de criação de vínculos com a UBS é primordial. Usuários que freqüentam com assiduidade os postos de saúde são melhores tratados e tem um acompanhamento mais apurado da sua saúde, pois esta aproximação gera intimidade e compromisso dos funcionários com os usuários.

O processo de criação de cidadãos, pressupõe a participação popular como atores das políticas públicas. Num processo de aprimoramento da cidadania os usuários da rede pública de saúde precisam ser ouvidos nas suas demandas, assim evitam programas gerados em gabinetes, onde os gestores nem sempre conhecem em profundidade a rotina dos rincões, onde estão fincados os equipamentos que compõem a rede de contato entre o usuário e o poder público local. (BOSI,1988)


Referencias bibliográficas:

Avaliação do Programa Remédio em Casa – Tribunal de Contas do Rio de Janeiro – 2005, in http://74.125.47.132/searchq=cache:0OMAket4gUJ:www.tcm.rj.gov.br/Noticias/2119/Cart

ilha_Remedios_full.pdf+avaliC3%A7%C3%A3o+do+programa+remedio+em+cas&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-a

BOSI, Maria Lúcia M. & Affonso, Kátia de Carvalho, 1998. Cidadania, participação popular e saúde: com a palavra, os usuários da Rede Pública de Serviços. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 14(2): 355-365, abr-jun.

GB LIMA, EJF de Araujo, KMH Sousa, R de Fonseca, "Avaliação da utilização de medicamentos armazenados em domicílios por uma população atendida pelo PSF". Rev. Bras. Farm., 89(2), 2008.

OLSON, Mancur. A lógica da ação coletiva: os benefícios públicos e uma teoria dos grupos sociais. São Paulo: EDUSP, 1998. Cap. "uma teoria dos grupos e organizações" (pág. 5-52).

Programas públicos da prefeitura de São Paulo, in

http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saude/programas/0002 - em 26/06/09.

SIMÕES, Janaina Machado; Monteiro, Maria Gabriela Monteiro."Estratégias de apoio às políticas públicas de saúde: a experiência do projeto Remédio em Casa" Mundo saúde (1995);30(2):289-299, abr.-jun. 2006. ilus, tab.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ARTES, CIÊNCIAS E HUMANIDADES







TRABALHO FINAL DE SOCIEDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS

AS RELAÇÕES ENTRE SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA
E ESTADO NA RESPOSTA BRASILEIRA À AIDS






Guilherme Gonçalves Capovilla

Leonardo Spicacci Campos

Ricardo Aurélio dos Santos



3º semestre

Gestão de Políticas Públicas (EACH/USP)

Prof.Dr. Wagner Iglecias


Introdução

A análise do desenvolvimento das políticas públicas ligadas à AIDS no Brasil fornece um dos mais completos retratos das interlocuções entre sociedade e Estado brasileiro nas duas últimas décadas do século XX. É impossível observar o desenvolvimento histórico das respostas do Estado brasileiro à síndrome de forma dissociada das mudanças nos valores da sociedade (sobretudo com relação às práticas sexuais), da abertura política, da atuação dos movimentos sociais no país, do crescimento do modelo das Organizações Não-Governamentais e do surgimento do Sistema Único de Saúde, com a Constituição de 1988. Ao mesmo tempo em que eram influenciadas por esses fatores que, na categoria de análise de Sampaio e Araújo (2006), constituiriam o macro-contexto, as respostas da sociedade e do Estado brasileiro à disseminação da AIDS no país causavam grandes conflitos na sociedade como um todo e mudanças extremamente relevantes na atuação de movimentos sociais, colocando atores antes marginalizados, como feministas, homossexuais e profissionais do sexo, no centro da ação política.

Além desses fatores de ordem interna, destaca-se, nos anos 90, a atuação do Banco Mundial como principal influenciador das políticas públicas de prevenção da AIDS no país, uma vez que era ele o principal financiador das políticas e grupos nessa questão.

Desse modo, a multiplicidade de atores bem articulados acaba sendo a grande marca da política brasileira de prevenção e tratamento da AIDS, tomada como exemplar no mundo todo. Para Câmara (2002, p. 58), além da intensa participação da sociedade civil, a universalidade do serviço de saúde, através do SUS, e um forte compromisso governamental seriam as grandes marcas do que seria mundialmente denominado “modelo brasileiro” de prevenção à AIDS, surgido na década de 80 e ainda bastante forte.

Graças a isso, é possível estudar a política da AIDS no Brasil a partir de vários enfoques: da ação ou da articulação das chamadas ONGs/AIDS, das relações entre o crescimento dos números da síndrome no Brasil e o maior destaque desfrutado por vários movimentos sociais, do conflito entre valores conservadores e liberais na formulação das políticas públicas, da relação entre os planos nacional e internacional, entre outros. Aqui, procuraremos fazer uma análise centrada na atuação e articulação dos diversos atores envolvidos no processo de formulação e implementação da política pública de combate à AIDS no Brasil de uma forma geral, sem focar qualquer programa específico. Entre esses atores, destacam-se o governo em diversos níveis, as ONGs/AIDS, os movimentos sociais (feminista, gay e de profissionais do sexo), o Banco Mundial e a mídia.


LINK PARA O TRABALHO COMPLETO EM:


www.4shared.com/file/117129768/5bc97c3d/TRABALHO_FINAL_SPP_-_2009_-_SOCIEDADE_CIVIL_E_ESTADO_NA_RESPOSTA__AIDS



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Ana Luiza Anjos N°USP 6065511 Flavio Mesquita N°USP 6496697

Raquel G. Rizzi N°USP 6409521 Shirley de Fasio Pinheiro N°USP 5362466

      • Sociedade e Políticas Públicas

        • Prof. Wagner Iglesias

          MOVIMENTO DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

          DO MUNICÌPIO DE SÃO PAULO


                “... não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, que é trabalho, é práxis, é transformação do mundo. Assim, dizer a palavra, não deve ser privilégio de alguns homens, mas direitos de todos.” Paulo Freire (MOVA – SP, 1992)

        Apresentação: o que é o MOVA?

        O MOVA, Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos, trata-se de uma organização popular voltada para a alfabetização de jovens e adultos, através da concepção de educação popular libertadora defendida por Paulo Freire.

        Em síntese os objetivos da educação popular libertadora são: desenvolver um processo de alfabetização que possibilita ao educando uma leitura crítica da realidade, voltada para o desenvolvimento da consciência política, do incentivo à participação popular e da luta pelos direitos sociais, principalmente a garantia da educação pública e popular.

        A partir destes princípios o MOVA pretende diminuir o índice de analfabetismo e formar cidadãos, conscientes do seu papel de ator social.

        Neste trabalho abordaremos, em específico, o MOVA São Paulo, e sua consolidação como política pública municipal.

          • Contexto

          A história do Movimento de Alfabetização e seus atores sociais

          A idéia de educação popular e de jovens e adultos nasceu motivada pelos princípios da Teologia da Libertação, e iniciou seus trabalhos nas comunidades eclesiais de base na década de 60.

          Paulo Freire, ao assumir a Secretaria Municipal da Educação de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, em 1989, reconheceu a importância deste movimento e o institucionalizou enquanto política pública naquela gestão.

          A partir do encontro dos movimentos populares de alfabetização e da Secretaria Municipal de Educação surge o MOVA-SP, como marco dos Movimentos de Alfabetização de Jovens e Adultos, após o processo de abertura política.

          No mesmo período da criação do MOVA, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) estava sendo discutida em âmbito nacional, e destinou um capítulo a questão da educação de Jovens e Adultos.

          Esta importância também é conferida pela Constituição da República Federativa do Brasil, que no artigo 208 garante o acesso à educação fundamental a todos os brasileiros, independente de estar ou não em idade escolar. Garantindo, por exemplo, a oferta de ensino noturno, fundamental na educação de jovens e adultos que tem que trabalhar durante o dia, além de responsabilizar a autoridade competente caso não haja oferecimento.

          O financiamento da educação fundamental, também é garantido por lei, através da LDB, que cria o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF). Apesar do FUNDEF, o financiamento da educação de jovens e adultos é ainda muito deficiente, pois as transferências ficam a cargo do município e a distribuição das verbas ocorre de acordo com o projeto político de cada prefeitura.

          O MOVA-SP garantiu seu financiamento a partir de uma histórica luta e pressão dos movimentos sociais na prefeitura. Apesar de no início ter a prefeitura como parceira, isto não se tratou de uma constante, como será analisado mais a frente neste trabalho.

          A parceria, em 1989, com a prefeitura - que possuía vontade política - a luta e o empenho dos movimentos - que já trabalhavam com alfabetização de jovens e adultos - somada com o apoio da sociedade civil possibilitou a criação do MOVA- SP. Ou seja, todos estes atores se encontraram na medida em que valoravam uma população alfabetizada, e gostaria de estender o acesso àqueles que não mais se encontravam em idade escolar. Esta mobilização saiu na frente da luta pela educação de jovens e adultos, que depois foi referendada pelo LDB.

          Como dito no início deste resumo da história do MOVA-SP, os movimentos alfabetização anteriores à ele, estavam ligados principalmente com as comunidades eclesiais de base, sendo inicialmente este o grupo de pressão presente na sociedade civil que exigia políticas públicas para a educação de jovens e adultos.

          Com o fim do governo de Luiza Erundina, este movimento, já constituído enquanto MOVA-SP, havia aglomerado forças que o permitiu existir até hoje, como um reivindicador do olhar da administração pública para este segmento da educação e da sociedade.

          Além de compreender como o MOVA-SP nasce e estabelece, também é importante abordar sobre quais princípios este movimento esta inserido.

          Primeiramente, o MOVA-SP dedica-se a chamar a atenção para a questão analfabetismo, problema o qual atingia, em 2007, 6,7% da população da população de São Paulo fora de idade ideal de alfabetização1. Ou seja, um problema que mesmo na cidade mais rica do país, é latente. Pensando em termos de Brasil, isto toma uma dimensão maior e mais alarmante, o mesmo ocorre se começarmos a analisar os dados de analfabetos funcionais.

          Em segundo lugar, o MOVA-SP leva a educação de jovens e adultos (EJA) para uma esfera mais ampla, anteriormente pensava-se apenas na garantia da alfabetização. Um dos questionamentos do MOVA-SP, que hoje se implementa na maioria dos EJAs, refere a continuidade do estudo, o pós-alfabetização, como garantindo pela Constituição.

          Além de ter o oferecimento do curso fundamental completo, em horários noturnos e com uma metodologia voltada para jovens e adultos, o MOVA-SP também em se preocupou com uma educação libertadora e transformadora da realidade do(a) educando(a), ou seja, não apenas uma alfabetização voltada para decodificar a escrita, mas sim uma educação voltada para uma formação cidadã, política e cultural de seus(suas) educandos(as).

          Para alcançar estes objetivos uniu os aprendizados de experiências anteriores, ligadas a teologia da libertação, com a sistematização da educação popular feita por Paulo Freire. Gerando assim os princípios que serão apresentados abaixo.

          A alfabetização deve ser um processo de construção coletiva entre educador(a) e educando(a), o conhecimento se constrói coletivamente. Esta educação tem como ponto de partida a realidade do(a) educando(a). Parte-se do pressuposto que todas as pessoas possuem conhecimento, e que os(as) iletrados(as) conhecem a cultura letrada, pois vivem numa sociedade letrada, possuindo códigos que lhe permitem compreender a realidade em que vive.

          Estes códigos dominados pelos(as) educandos(as) devem ser o ponto de partida do processo de alfabetização. Todos os erros são construtivos, na medida que possibilitam o(a) educando(a) se ver como sujeito de sua realidade e interferir nesta, avançando mais uma etapa no processo de aprendizado.

          Deve haver uma formação permanente dos educadores e das educadoras, visando sempre uma melhor instrumentalização na sua função política e pedagógica dentro do MOVA-SP. Ressaltamos aqui que a função do(a) educador(a) não se trata de passar conhecimento, já que este é construído coletivamente, o papel do(a) educador(a) é de um(a) facilitador(a), que interage com o(a) educando(a) buscando resgatar sua identidade, os códigos que domina e construindo o processo de alfabetização juntamente com os educandos e as educandas.

          Um último ponto que difere a proposta pedagógica do MOVA-SP é a avaliação, a qual tem como base a auto-avaliação, a disponibilidade de todos os que estão envolvidos no processo de aprender e de ensinar, a valorização e a articulação de diferentes saberes, a compreensão crítica da realidade, a percepção de dificuldades e avanços e a continua ressignificação da prática pedagógica.

          Desta forma, a avaliação compreende todos os envolvidos educadores(as) e educandos(as). E no caso específico dos(as) educandos(as), a avaliação rompe com a idéia de um simples exame, mas compreende a educação de forma mais ampla, libertadora e participativa. Os avanços e permanências do(a) educando(a), serão olhadas e compreendidas, verificando quando este(a) estará preparado para prestar uma prova.

          Após esta rápida explicação dos princípios que o MOVA-SP se baseia, trataremos dos caminhos que esta educação libertadora de jovens e adultos tomou.

          Hoje o MOVA está presente em diversos municípios do país, este os quais se encontram nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pará, Santa Catarina e Minas Gerais. E também se formou enquanto política de Estados da Federação, como os mesmo princípios da educação popular, o Programa Brasil Alfabetizado trata-se de uma política pública presente nos Estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Acre.

          Tamanha mobilização nacional voltada para a alfabetização de jovens e adultos resultou em encontros nacionais, onde foi criado o MOVA-BRASIL uma rede que conecta experiências de MOVA em todo o Brasil discutindo políticas, práticas pedagógicas e os princípios da educação popular.

            • O processo de consolidação do MOVA como política de Estado

            O MOVA-SP passou por um período de muita dificuldade, nos governos Maluf(1993-96) e Pitta(1997-2000) o movimento foi abandonado pela prefeitura, a mesma cancelou convênios com os movimentos populares de alfabetização e não repassava recursos para a manutenção das turmas, e por consequencia muitas delas foram fechadas, ainda assim algumas sobreviveram graças a ajuda de alguns abnegados, isto ocorreu fundamentalmente por que o MOVA-SP ainda não possuía uma lei que o regulamentava, sendo assim o MOVA-SP não se caracterizou neste período com uma política pública perene, pois passou 8 anos sem ser alvo do poder público municipal, somente após o início da gestão Marta Suplicy(2001-2004) o MOVA voltou a ser uma política pública, sendo governada pelo mesmo partido que o criou, a cidade voltou a ter como prioridade a educação e a redução das taxas de analfabetismo, e neste período o MOVA se concretizou e se institucionalizou, seguindo como política de estado mesmo após a transição para o governo Serra/Kassab(2005-08), no qual aliás o MOVA se tornou institucional, com a aprovação da lei 14.058/05, e a publicação da portaria 671/06 da Secretaria Municipal de Educação, que regulamentaram este programa, dando assim vida longa a esta política.


            MOVA Brasil

            O MOVA Brasil surgiu segundo as diretrizes do MOVA- SP, que ao se expandir em outras cidades, recebia o nome de MOVA mais o nome do local. O MOVA-Brasil engloba um conjunto de Estados brasileiros.

            No projeto do MOVA-Brasil, observa-se que ele foi organizado em três fases: na 1ª fase que ocorreu de 2003 a 2004, o projeto foi aplicado nos Estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e São Paulo, com 12.167 alfabetizandos inscritos; na 2ª fase que perdurou de 2004 a 2005 envolvia além desses Estados, Sergipe, somando um total de 14.440 educandos; a 4ª fase composta por esses seis estados foi aplicada de 2005 a 2006 e tinha um montante de 23.301 alunos inscritos; a 4ª fase que ainda não tem seus resultados publicados, se iniciou em 2006, e objetiva a integração do MOVA Brasil e Fomento do Cooperativismo (Movimento dos Catadores de Resíduos Sólidos) abrangendo além dos outros estados já mencionados, Pernambuco, Paraíba e Alagoas, tendo por meta atender, 25.000 educandos. O total de educandos que a soma da 1ª, 2ª e 3ª fase, é de 49.908, segundo os dados expostos no projeto impresso do MOVA-Brasil.

            Para a análise desse Projeto enquanto política de governo ou de Estado, é importante ressaltar, que foi concretizado no governo LULA, e ainda não passou por um governo de oposição, porém, o comitê gestor desse Projeto, é composto pela Petrobrás, pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pelo Instituto Paulo Freire (IPF). Para a concretização do projeto são feitas parcerias com os Estados, ou pólos como são divididos, no qual será formada pedagogicamente através dos princípios freirianos uma equipe, para que possam implementar o projeto localmente.

            O MOVA- Brasil, segue os princípios filosófico-político-pedagógicos de Paulo Freire que deram origem ao MOVA –SP.

                “A ação pedagógica se desenvolve com base na Leitura do Mundo do educando, a partir da qual se identificam as situações significativas da realidade em que está inserido. Desse processo surgem os Temas Geradores, que por sua vez, orientam a escolha dos conteúdos programáticos. O conhecimento construído no ato de educar visa a problematização da realidade e a compreensão mais profunda do mundo vivido. A partir dessa compreensão crítica, educandas e educandos são estimulados a planejar ações de intervenção para a transformação social, assumindo-se como sujeitos da construção de realidades mais justas e humanas.” 2

              A formação dos educadores tem, portanto, papel fundamental para a realização do escopo do projeto. Essa tem uma fase inicial, que aproxima os educadores do projeto e dos princípios freirianos, e uma fase continuada que se dá durante o desenvolvimento do projeto. Existem encontros entre os coordenadores de pólo, coordenadores locais e monitores que fornecem a interação e reflexão do desenvolvimento do projeto.

              O Projeto conta com diversos relatos que podem se indicadores dos resultados até então alcançados pelo MOVA- Brasil. È importante ressaltar, porém, que o projeto consta de análises em curto prazo devido a sua pequena longevidade, porém, relatos podem nos apontar algumas indicações de bom desenvolvimento e alcance dos objetivos.

              Através dos relatos e da comparação dos cidadãos que agora estão envolvidos no projeto mostra-se que foram alcançados os objetivos: de contribuir para a redução do analfabetismo no Brasil; promover o fortalecimento da cidadania e contribuir para as políticas publicas para jovens e adultos; estabelecer parcerias com organizações, sindicatos, movimentos sociais e populares, governos; abranger em 3 anos 40.000 educandos, de 2003 a 2006 e realizar a formação de 160 coordenadores locais e 1.600 monitores.

            CONCLUSÃO

              O MOVA SP surgiu a 20 anos em uma parceira entre os movimentos sociais e a Secretaria Municipal de Educação (SME), e desde então, vem se destacando como referência para o surgimento de outras iniciativas semelhantes em todo o país.

              No entanto, durante todos esses anos, o MOVA-SP vem trabalhando, de forma independente, para alertar e mobilizar a sociedade para a questão do analfabetismo, mas principalmente, para demonstrar que outros problemas sociais do país têm correlação direta com as altas taxas de analfabetismos ainda verificados no Brasil.

              Não se pode negar que inúmeras foram as conquistas, mas ainda maiores são os desafios que precisam ser suplantados para que o MOVA-SP possa se destacar como instrumento na busca pela erradicação do analfabetismo no Município.

              Não é possível identificar com precisão todos os desafios que o programa de alfabetização encontra para se manter, entre eles convém destacar que, apesar de ter se consolidado enquanto política publica municipal em São Paulo, o MOVA-SP necessita de muitos incentivos, pois os recursos financeiros destinados atualmente ainda estão limitados.

              Outro grande desafio encontrado pelo MOVA-SP, está na burocracia para a manutenção de um núcleo conveniado, que precisa da presença física de pelo menos 13 educandos por dia, para receber um parecer favorável e continuar conveniado ao programa municipal, essa prerrogativa imposta pelo poder público ignora toda a concepção de educação popular proposta pelo movimento, o que pode acarretar, em longo prazo, uma redução expressiva de sua atuação institucionalizada.

              Para que o MOVA-SP possa ganhar ainda mais forma, é indispensável que o poder público municipal o reconheça enquanto diretriz para a alfabetização de jovens e adultos, que divergem da concepção de educação formal oferecida pelos entes públicos, para que sua proposta de educação libertadora alcance, em maior número, os portadores de necessidades especiais.

              Apesar dos desafios, o próprio movimento vem criando alternativas para registrar suas memórias e construir um canal de comunicação que possibilite a integração dos atores sociais na perspectiva de aprimorar sua atuação no município. Entre as alternativas destaca-se o lançamento do livro-reportagem que pretende resgatar a essência do movimento, a partir dos relatos de seus participantes, sistematizar suas práticas para ser compartilhado entre seus pares, programado para a festa de comemoração dos 20 anos do MOVA-SP, agendado para 21 de outubro de 2009.

              Há ainda um projeto, decorrente da comemoração dos 20 anos do MOVA-SP, que pretende criar 20 círculos de cultura em toda a cidade, com o objetivo de possibilitar a troca de experiências, homogeneizar práticas e aproximar os atores sociais.

              Diante disso, pode-se afirmar que somente após 20 anos de luta o movimento social de alfabetização conseguiu angariar espaço na estrutura formal do Estado, no entanto, ainda necessita de muito investimento, seja humano, seja financeiro, para se consolidar enquanto uma política pública efetiva.

            Bibliografia:

              BARRETO, Vera. Paulo Freire para Educadores. 1ª Edição. Editora Arte e Ciência. São Paulo.1998

              Cadernos VII ENEJA- Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos. Diversidade na EJA: Papel do Estado e dos movimentos sociais nas políticas públicas. 31 de agosto a 3 de setembro. Brasília, 2005.

              Cadernos MOVA ABC. MOVA ABC: Prática, Identidade e Compromisso. Documento Base de Subsídio para discussões.

              MOVA-SP Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos - Folder para divulgação do programa. Secretaria Municipal de Educação. 2004.

              Rede MOVA Brasil. Registros de Suas Ações. 2001-2004. Instituto Paulo Freire. São Paulo, 2005.

              Santos, Maria Alice de Paula e Cukierkorn, Monica M. de º Braga. Projeto MOVA- Brasil.


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